terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Campos Elísios


Acordei cedo, antes do Sol nascer, e vesti meu short velho, sujo de terra do dia anterior, que evocou minhas memórias: tive a sensação do contraste, da alma limpa e sorri.
E corri para o quintal, assim, descalço, pisando livre a grama e a sentindo entre meus dedos nus, afundando meus pés a cada passada na terra fofa e germinando uma semente que eu sentia brotar em mim.
Cruzei a porteira e pus-me em direção à estrada, aos campos de girassóis que logo floresceriam dado um novo dia, e que indicam a beleza passageira, a efemeridade da vida arredia.
E é por isso que eu vim cedo, e também porque vim descalço. E nem o cheiro do café me desperta, senão para as belezas da vida. Mais seria menos, medíocre como não quero ser.
Por isso semeio devaneios,

E girassóis.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Fluxo


Mil formas de dizer que já não necessito de sonhos baratos, aparatos para barba, gente que se gaba de vitórias desonrosas, rouba rosa, mata inseto, mata feto na barriga, arruma briga por ideia, rebola para a plateia e dança feito macaco.

Mil marcos a aposta que a resposta é mais baixa, quem encaixa palavras na minha boca perde tempo, não frequento templos, não ilustro exemplos, não enfrento dogmas ou crenças de terceiros.

Deixo o mundo inteiro, mil, se achar na contramão, mas freio o caminhão que vem na direção inoportuna, tem aquele que se apruma mesmo à beira da morte, vive a vida pela sorte, teimoso que se diz forte, mas só é DURO.

Conjuro mil anjos para dispensar suas bênçãos, quem seríamos sozinhos? Me inquieto com a questão, na maré da multidão enquanto ando pelo centro, concentro nos pensamentos para não perder o fio da meada, quem olha de longe não vê nada, acha que é piada e nem sorri.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Costelas VI


Inspiro
Tanto que não me cabe no peito
Recito o vazio, aceito
A despeito do frio, sorrio
estreito.

Suspiro cansada de mim
Desato nós, costuro enfins
Despeço a voz
Teço jardins a sós, em meus confins
Belo pós-fim.

Saudade não grita, sussurra...
A memória esmurra e ainda nem foi sentida
Mal vivo uma, penso sofrer mil-vidas
Vencida a partida na surra
Despedaço na despedida.

Má-vencedora, assumo.
Ou nem isso, sem rumo apenas...
De prumo a aurora, me alinho
Expiro o mofo, confiro a hora, sublinho:
Amargo sumo, mundo moinho.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Temperança


Curvo-me aos demais que é para saudar o que não há, mas o porvir.
O vazio que preenche o cheio-de-si um dia expira.
O texto respira em frases curtas, mentes longas.

O fruto da palavra é o sorriso; a compreensão é eufórica.
Há nulidade para os grandes, invalidez para os pequenos.
A força não abrevia a sensatez.
A entropia é míope.