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Mostrando postagens de Abril, 2009

Retórica para auto afirmação

Mas vai que sou apenas fruto da minha imaginação. E, como um garoto pequeno, crio monstros em sombras e dou vida à aberrações. Eis: Cria & Criador.
As conclusões tornam-se cada vez mais delicadas quando se alongam as linhas de um texto. Para que tornar o universo quebradiço, dando-lhe nomes & conceitos? Além do mais, não nos afastemos do que é primordial: a espontaneidade.

Lábios Vermelhos

Lábios Vermelhos

Subo a escada de incêndio e abro a porta dos fundos. Entro em casa com passos delicados e ligo o antigo rádio. Toca “Friday I’m in Love” do The Cure e no mesmo instante me lembro de você, fecho meus olhos e começo a dançar sozinho, porém acompanhado de minhas lembranças e de uma expressão de êxtase.
Cato um lenço de pano e passo-o pela minha nuca para sentir a essência. É o teu cheiro que se instalou em mim, mais ou menos, como seus olhos se encaixaram nos meus e ali se acomodaram pelo resto daquela noite. Pego o lenço e passo-o nos meus lábios para capturar o que sobrou dos teus pintados de vermelho. Consigo ver a tua boca no borro que se formou.
Danço livre e levemente pela casa. Vou para a cozinha à procura de uma faca. Volto à sala com ela e de uma gaveta qualquer da dispensa trago em mãos uma boneca de pano. Corto-a toda, tiro seu cabelo fora, tiro seus braços, suas pernas, rasgo seu vestido xadrez, mas tudo em vão. O que eu quero mesmo são seus olhos de vidro que t…

Slogan

Ataraxia e procrastinação andando juntas desde 1991.

Estilhaços

Ela sobe pela escada de incêndio e vislumbra os vestígios de quem passou por ali mais cedo. Há portas escancaradas e homens desmaiados com o braço sem mais lugares para as picadas do vício; Garotinhas, com tanto medo quanto ela, encolhidas em posição fetal no canto de uma sala escura; Mulheres de roupas rasgadas e maquiagem borrada, no corredor e no interior das casas. Putas ou amantes, desesperadas por um amor que já não faz mais sentido. Ela continua subindo, sem freios, em busca de uma luz.

Cada passo dado naquele corredor extenso é um ano de idade a menos e a vida se retrocede diante de si. Ela vê uma porta imaginária com os pais em uma discussão violenta e de repente ela tem sete anos de idade. No outro instante ela está segurando seu ursinho de pelúcias que fora tantas vezes costurado pela avó, porém desta vez ele está manchado de sangue e não há como remover. Fora sua irmã quem fizera aquilo, e, no entanto ela tem agora apenas cinco anos. Aos três ela se lembra da canção de nin…