terça-feira, 28 de outubro de 2014

Das Montanhas


Errante como a carta,
Perseverante como o carteiro
Todo aquele que se aparta
Há de tornar-se parteiro
A vida farta farta ao guerreiro
Todo caminho conduz ao inteiro.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Opaco


Acordei de uma vida, tal foi o sonho
Vivido como nunca fui.
Não arrisco abrir os olhos. Ainda há a esperança de que eu esteja dormindo.
Adio o dia diáfano.
Planejo e nem vejo o que se passa:
O quarto escuro, e enquanto me recomponho, tateio meus óculos
(Eles sempre mudam de lugar durante a noite.)
(Às vezes eu confundo miopia com esquizofrenia.)
Meu braço dança, mas nada alcança
Nitidez esquiva, arredia, arisca
A vista é uma mancha; a vida, um borrão
Eu sou uma dobra na página de introdução.
Qualquer obra incompleta.
Mais amarrotado que os lençóis eu ensaio levantar-me,
É impossível.
Coloco a culpa na cama. Nos óculos perdidos.
Preciso reavê-los, meu dia precisa começar
De fato falta-me foco...

É essa dependência de alta-definição. Auto definição.

Imaturidade

Eu ainda penso

Que o mundo é imenso.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Aparto


Chão árido, terra seca. Noite escura da alma.
A fogueira anima as sombras, quantos somos?
O deserto se estende ao longe, além-túmulo.
Tudo é poeira.
Pele vermelha, cabelos compridos, manto grosso.
Somos o círculo. O Xamã coaduna.
Eu não me vejo. Mal escuto algo, tal a inquietude.
O receio recebe-me antes mesmo da terra:
Também a tempestade precede a calmaria.
A vista inebria-se.