sábado, 31 de março de 2012

Lapso

O Sereno tocou-me & fez-se inquisitório.
Em uma redenção atemporal dispus-me à ele, com pensamentos colocados em cheque: imóveis & adiados. Suspensos.
Palavras caladas num susto que se prolonga doloroso. Assim supera-se uma noção vaga & virtual, nunca experimentada de fato, do Silêncio.

O Vazio é Pleno.

O êxtase da mente inabalável  é contagiante & o corpo reencontra-se capaz. A conciliação com o TODO, casamento de semelhantes, este incesto transcedental que refuta qualquer crítica feita à questão do instinto.
E é inerente ao Iluminado a “indescritibilidade”!

Restam, então, esforços vãos de um autor frustrado:
Para tanto, minhas palavras necessitariam ser lacunas.

domingo, 25 de março de 2012

Ausência

um bilhetinho
à moda antiga

Senti saudades tuas.
Ou será que foram saudades de mim mesmo? De um eu antigo?

Acho que o reencontrei por aí nesses dias que passaram voando, numa topada brusca nas esquinas da vida... Apressado, só teve meias palavras em um sussurro esmeirado & rateado e, em troca, levou-me o fôlego & o rumo.
Recompôs-se em sua rota e deixou-me atordoado no ápice de minha rotina que já ha muito havia se esvaído em vista do devaneio que se apresentou fatal.
O tempo havia migrado e eu não me endireitara no ritmo. E se me faltava fôlego & direção, sobravam-me palavras.
Palavras que eu uso no preenchimento de lacunas, na transposição de abismos, à contrapeso da ausência.
Enfim:

Saudades, tuas.

sábado, 10 de março de 2012

Desembrulho

À uma garota que eu ainda não conheci;
& ao Mestre, André Martins.

“Todos os passados ideais, todos os futuros que ainda não passaram, simplesmente obstruem nossa consciência da vívida presença total.”

- Aonde você esteve este tempo todo?
-Exatamente aonde eu devia estar. E agora me tens em sua frente, exatamente como tem de ser.
-Encarar-te é encarar uma ampulheta incessante. E eu já não sei julgar o tempo: se cruel pela espera ou generoso pelo presente...
- Pois disponha-te a ele! Há grãos exaustos, prestes a despencarem, em sua depressão conjunta; & há uma pilha crescente de amontoados rendidos, que se afundam e são encobertados por um sono inextinguível.
- E lanço-me aos braços de Morfeu? Seria meu deslumbro mero delírio e, estando no Sonhar, o nexo é desinteressante?
- Enlouqueças de tuas mil-e-uma maneiras, mas permaneças acordado. Não vais perder a hora, pois esta sim tem encontro marcado com teu deus do sono! Teu deslumbro é o meu & teu delírio é deliciosamente doce.
- Porém não existem ilusões amargas...
- E o amargo do agora, cito a contragosto, é sê-lo instante e não eterno. O eterno é sempre agora, mas o instante é sensível! Quantas são as cantigas de ninar a enamorá-lo desde que ele roubara a cena?!
- E eu, desperto demais para ouví-las, perco-me no caminho de volta para casa...
- Ou encontra-te! Que me tens aqui & te tenho aqui. Compomos o instante, que se desenrola...
- ... intenso! E já não tenho lembranças ou anseios, passado ou futuro.
- Contexto! Somos nós a completar-nos & contemplarmo-nos.
- Achados. Ou perdidos... Eu me encontro em cada esquina e me esvaio em pensamentos, preparo toda uma rotina e a mudo a cada momento, vivo na cisma de uma sina ou na dúvida de estar ao relento, incerto de olhar para cima ou da procura aqui dentro, o mundo que se imagina & o mundo com o qual me contento... Mas já não há distinções de realidades desde o verbo manifesto! A palavra proferida confere o trono. Quem nele se senta é denominado CAOS.

terça-feira, 6 de março de 2012

Íntegro

Um grupo não é composto de uma dúzia de meios;
mas sim meia dúzia de inteiros.