terça-feira, 26 de novembro de 2013

Exconjuro


Quem dera ao descuido ser significativo
Ai de ti! A vontade é o crivo
Pois há amor; e há sucesso
E há verdade nestes versos

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Borrão


Caem os cílios, a tinta, a água
A mágoa permanece, não verte
O silêncio é ouro.
Mas também é prata barata,
Ou menos.

O absurdo é tudo em estantes
Mudos instantes
Mundos distantes
Antes
Depois.

A eternidade é curta
Se bem que
Inédita.
Pois
É.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Diário


Meu verso não vale ouro, é matéria comum.
Emprego-o diariamente sem distinções de contexto
ou vãs pretensões de guardar palavras
para discursos ou sermões.

Criação instantânea, ininterrupta.
As palavras dão vida aos sentimentos
e a saliva é o combustível da imaginação,
embora a vida só seja possível pelo silêncio.

O poeta só o é por saber caber;
mas e a poesia dos dias,
cabe-o apreciar?

Quanto de silêncio há na pausa,
e que é que regula o tom,
se não o não?

Pois,
de outra forma,
dicionários apenas.

Além de forma & gênero
há vida a ser floreada
não peço que não seja simples,
muito pelo contrário.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Costelas III

Nada por menos.
Tenho meus planos, plenos de detalhes,
Mapas à Vênus,
Entalhes artesanais
E meus venenos habituais.

Nutro pequenas relações comigo
Aceno às multidões, enceno perigos
Dramatizo questões as quais nem acredito
Personifico mitos
Em elaborados ritos de solidão.

Solidifico personagens
Importo paisagens em ilustrações ilustres
Lustro imagens que tenho de mim
Ao espelho torno-me afim,
Visto roupagens, proclamo festins, enfim!

Anfitriã em meu teatro ilusório
Forjo ontens e amanhãs, um divã, um laboratório
Do simplório ao titã
Artesã,

E não santa de oratório.