segunda-feira, 28 de maio de 2012

o Eu e o Outro

Talvez meu tempo seja mesmo outro;
Talvez meu outro seja mesmo tempo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Charme


pois todo fim é um começo e toda despedida tem seu charme.


Queria já ter partido há muito. Assim, espontâneo & definitivo, só para vê-la acenar seu lenço assoado & encharcado das lágrimas que vergam por mim. Que não retornarão aos seus olhos, assim como não retornarei aos seus braços.
O sol não volta atrás por que sabe da deselegância do regresso. E faz de sua despedida um espetáculo à parte, aplaudido no fascínio daqueles que desconhecem os outros cantos do mundo.
Aplaudo o sol de pé. Sem lugares estratégicos, porque não é aos meus olhos que ele toca. Mais coerente seria o coro se o elogio fosse feito à dedicação com que este se mantém sobre nós, incondicional. Mas vivemos de momentos, entre vírgulas, de finais felizes!
Aplaudo o sol com vigor & alívio. Sou vivaz em minha indiferença, tomado pela ansiedade, cordial nas palmas explosivas que anunciam o fim de minha espera.
Dói-me este receio com que se vai; esta despedida longa & dramática & indecisa. Fere-me, exige-me paciência, adia meu enfim!
Eu que o aplaudo tão somente para vê-lo distante, que contenho arduamente meus uivos, guardo-me atrás de lentes escuras por que não me inspira o contemplar. Eu que me mantenho firme, na expectativa do encontro prometido! E que já estou tão longe neste momento, sem olhar para trás por que meus olhos estão perdidos no Zênite em transação!
Há em mim um coral de vozes a comemorar a queda do império! O Astro-Rei deposto... E eu, que nem ensaiei minha despedida, assemelho-me ao sol ido:
querida, sou noite.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Con'templ'ação



O acesso restrito configura-se por uma questão de necessidade: há tanto para ser discutido à sós que o roubo da intimidade é um pecado.
A sincronia se dá por meio de um código mas, mais do que apenas garantir passagem, este pressupõe um alinhamento conceitual:

Portas abertas, ESCANCARADAS! A casa reluz & irradia caminhos.
Sobre tudo pode ser dito tudo, sobretudo, que é UNO.
Concepções conciliam-se no claro: o lar repousa, iluminado.
Adiante-se!


Uma moeda que lhe valeu mais do que sua inscrição! A discrição com que se porta é a discrição com a qual a porta: metida em segredos, no sigilo que ela encerra. E desdobra portas, por ser chave.
Perante as trilhas familiares a tranquilidade impera.
O horizonte ao alcance de tuas mãos: moedas!
O universo não se curva ao ouro, mas ao toque;
Perceber já é estar em contato.

Guarda-corpos que nos mantém acá: em comunhão. A livre transposição de véis & o abandono da inconveniência! O inoportuno também se mostra grato em sua ineficácia em interferir: todos servem ao ritmo.
Tens a ti, por ter-te aqui & ao mundo por ter-te aí.
Desfruta o prato que te é servido, pois só te é servida a tua vontade.
Vens & vais!
A casa abriga-nos em seu ventre e murmurra-nos constantemente:
“Alegro-me que tenham chegado!”
 
Saudar é saudável.
Já começou, que não termine nunca.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Assombrações Verbais

ao João!
e começo com Fernando Pessoa. indispensável.


Adjetivos não existem, são nomes dados ao intocável! Presunçosos!
O “belo” é parcial, corrupto! É um agrado expresso: individual & injusto, um mero bater de martelo...
E descrições de si são assim: repletas de fantasmas! A quem se descreve para poder colocar-se em palavras, em características tão limitadas & subjetivas?!
Seria ao Zé-Ninguém de Reich? – Mas não seríamos tão descuidados assim...
Seriamos nós mesmos nosso ponto de referência? – Mas, ah! Quanta pretensão...
Afinal de contas, o Eu é mesmo um Outro.