quarta-feira, 25 de março de 2015

DOS SÓIS QUE ME ORBITAM



Imparcial é Impessoal.
Intimidade é o que eu tenho comigo,
 o resto é retórica.

Indivíduo composto, Legião.
das pérolas & dos porcos,
 a palavra é desperdício.

Sujeito de Sete Sombras
assumo & assino:
Compreensão.



quinta-feira, 19 de março de 2015

Ceifa & Seiva

vermes arados
repartidos & conformados
perdoam à morte
pois sabem da sorte
de se rastejar



volte sempre!



quinta-feira, 12 de março de 2015

Diplomacia da Determinação


- É generoso comigo aquele que me tem como suficiente? Ou seria o exigente quem me presenteia com sua estima?
- Depende. Você corresponde à expectativas ou atua com Amor?
- Se eu digo que amo, quando amo, correspondo, não?
- E quando apenas corresponde? Também ama?
- Há amor comedido?
- De parco e de porco, porque as palavras permitem. Mas, quanto de compaixão há na complacência?
- Daqueles, se me têm um abastado, basto e ponto. E se sou quase, que assim seja. Continuo nunca sendo. Morno, médio, morto. Ao ponto?
- Já tanto fez.
- Mas se me têm mero agrado, estes outros poucos, raros, nem me têm. Haja Amor, ou gente aquém. Eis sua lei de mínimo.
- Um grande homem começa sua trajetória quando chega em um ponto onde nenhum outro chegou. Além do amém dos demais. Para tanto, Amor é imprescindível. Não por que sua obra seja devocional à humanidade, mas por que será devotada à si mesmo. E só se atinge a sinceridade de impactar-se, só se emociona consigo próprio, quando se arrisca a amar-se em todos os âmbitos desta curta existência.
- O Amor atravessa o Abismo; o agrado aprofunda-o.
- Tão profundo quanto o Abismo, são as lacunas do Amor. Sucumbir é vivenciar, única e exclusivamente, as projeções de desperdícios pessoais. Toda a potencialidade desprezada culmina do exercício do egoísmo limitante, o fascínio pela pequenez. Aquele que nunca foi será assombrado pelo seu não-ser.
- Os pesadelos da monotonia.
- Mas suportaria, eu lhe pergunto, o fardo de si?
- Quanto tenho sobre meus ombros?
- Valemo-nos da simplicidade das palavras, embora tratemos dos frutos da dedicação. O ser em repouso não admite evolução. Como ama-se o homem que nunca se viu ao espelho da alma? E como admitiria-se ao se deparar com o que é? Ou imagina que resume-se ao seu ponto de vista, à sua ingênua ideia de si?
- Sou mais do que percebo. Abranjo-me ao todo? Quanto de mim me resta do lado de fora? Se é que há essa noção de espaço. Quanto, portanto, me esqueço de fato?
- Amar é compreender. E há muito pouco de compreensão na passividade. Quando então, melhor chamá-la subordinação. O processo de compreensão é plural, coletivo e contínuo: não existe conhecimento isolado. Assim somos: infindáveis. Síntese do TODO em Um; incessantes relações de trocas complementares; êxtase contagioso transcendental; o imensurável em um ponto perecível. Carne. Da instabilidade à compreensão, todo infinito é breve.
- O absurdo é indigesto.
- Só se vomita arco-íris quando se gesta nossa estrela quadrada.
- Quando entorna o vaso da concepção, escorrem as metáforas entaladas.
- Parir nunca foi tarefa conjunta, não me espanta tantos abortarem o Entendimento. Mas, diz-me, crê ser possível dar à Luz sem fé?
- Creio que só o insensato nasce neste mundo sem fé. Para tanto, as mães sentem em dobro. A essa compensação se dá o nome de instinto maternal.
- Ouve: fé não é a capacidade de acreditar em algo, mas sim a capacidade de empregar suas crenças. Um ato sem fé é um mero desejo, nunca Vontade. Estas são as raízes da incompletude incômoda que infesta o homem comum.
- O ceticismo?
- Eu prefiro chamar de insegurança.
- A insegurança como estímulo de culto ao ego... Parece razoável.
- Quanto ao dogma, não menos ilusório, cumpre a função de mecanismo de negação coletiva. Sabe o que isso significa?
- Dois mais dois igual a cinco.
- Exatamente.
- À parte de toda subjetividade, ainda há leis imutáveis que escapam ao poder de convenção da maioria. A realidade, afinal, tem algo de concreto...
- É o que eu quero dizer quando afirmo que o ato de acreditar em algo não confere fé a ninguém. Há muita pouca magia para quem se dá sem se ter. Sejamos generosos conosco, ser pouco não nos faz raros.
- Talvez seja a franqueza a estima do exigente. Menos é nada...
- Sinceridade é lealdade. Nós andamos subestimando a coerência.
- Acho que é isso, uma questão de enxergar o óbvio.
- A gente nunca chega a se amar se não ama aos demais.
- "Amar se aprende amando".
- Drummond.

terça-feira, 10 de março de 2015

Xeque-Mate


Quando eu escrevo diálogos eu me sinto um enxadrista desafiado pela própria empatia, ensaiando o imprevisível e confrontando o espontâneo.

Eu sempre venço, mas só às vezes eu me aplaudo.