sexta-feira, 27 de julho de 2012

Prantos que enxem-lhe mais do que uma taça



aviso aos navegantes

Homens que se lançam ao desconhecido em busca da bem-aventurança. Encerrados num universo azul, às vezes na distância de um monóculo, surgem-lhes propósitos que em terra firme nunca lhe ocorreram. Há a quem uma dose de insegurança caia como a água gelada  do despertar.
O tesouro especulado é uma faca de dois gumes: se existe, traz fartura; mas também a ganância. Se o alarde é vão, a desilusão. Mas há aquele que, enfim, se enxergue absurdo, distante de si, bem mais do que do último porto que vira.
Piratas urbanos que confundem-se e afundam-se em conceitos. Não reconhecem-se pelos trajes, mas ainda buscam tesouros escondidos, num mundo agora não mais tão azul. O desejo de plenitude, e posterior, transbordar, e encher oceanos, e não ser enxugado! Compor sete mares em uma vida. Calma lá.
Calma, que é o contrário desta pressa, desespero, violência. Hoje em dia atropela-se as frases, os pedestres, a educação. Diálogos viram monólogos; palavras, onomatopeias. Os ruídos dizem mais que as imagens, e a elas já atribuíam demasiado valor.
Bússolas tidas como inúteis, substituídas por ampulhetas e então relógios digitais, dão as coordenadas de como foram se perder os homens que não têm mapas de si.
Do lado de fora da piscina, recuso as toalhas: não anseio ressecar-me. É questão de ser enxuto, não estéril. 

domingo, 22 de julho de 2012

Presopopéia


ao som de Paatos
foge me à compreensão.
mas é tão presente e tão notório
que urge em ruídos ásperos;
ruge em texturas inquietas:
gastura imensurável.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sinestésico



despiu-se e adentrou-se ao cômodo
incomodado com o odor do escuro
esclarecido de que tudo é puro
quando não se pode diferir com o ver

o cheiro que invadia-lhe o olfato
de fato transbordava pelo umbral
a porta que rendia-se à sua gravidade
escancarava a verdade de ser-lhe um igual

viu-se então em sua órbita
e ainda assim alinhado à tudo
sentiu-se composto e integrante
intrigado em coexistir como conteúdo

e o que não lhe cheirava bem
eram seus olhos donos do insulto
a boca calou-se, palavra sequer!
é o silêncio que define o oculto

desnudo em reticências que envolviam-lhe suave
fez-se deslumbro no odor, já doce, que invadia-lhe os poros
e permitiu-se além-solo, como a porta que ficara para trás:
só vale a lei se esta lhe garante a sua paz.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Intervenção

Só a arte pode salvar o homem, mas só o homem superior pode entender a arte.
Logo, estamos fadados à uma seleção natural: a eliminação da preguiça de pensar.
A peneira como ato de conceber(-se!) & de (re)inventar(-se).


A progressão: da admiração à projeção.

Alinhar-se à si!, como há de ser!

O processo de tornar-se também emissor e não só espectador.
Equilibrar a balança restituindo um fluxo irreprimível.
Desestagnar-se!