segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sinestésico



despiu-se e adentrou-se ao cômodo
incomodado com o odor do escuro
esclarecido de que tudo é puro
quando não se pode diferir com o ver

o cheiro que invadia-lhe o olfato
de fato transbordava pelo umbral
a porta que rendia-se à sua gravidade
escancarava a verdade de ser-lhe um igual

viu-se então em sua órbita
e ainda assim alinhado à tudo
sentiu-se composto e integrante
intrigado em coexistir como conteúdo

e o que não lhe cheirava bem
eram seus olhos donos do insulto
a boca calou-se, palavra sequer!
é o silêncio que define o oculto

desnudo em reticências que envolviam-lhe suave
fez-se deslumbro no odor, já doce, que invadia-lhe os poros
e permitiu-se além-solo, como a porta que ficara para trás:
só vale a lei se esta lhe garante a sua paz.

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