quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tecido


De começos e tropeços a fins de fios mais espessos e entrelaçados.
O destino é uma bola felpuda, quase indecifrável, que pede delicadeza em seu manuseio para não se perder o fio da meada. Quem quer partir uma linha, iniciar uma rinha consigo?
Os fins até justificam os meios, mas quem vive de justificativas? A moral não cede à oratória, mesmo à de argumentos floreados e recheados, como uma persuasão intimista, invasiva.

Ter-se ao tecer: que sejamos maiores que o descuido.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Contratos


Canções cauções,
Compostas de convicções comedidas
Que é para agradar o coletivo
E não ao coro interior.

E um cortejo póstumo.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Costelas II

Servem-me ou sorvem-me?
O sutil se suscita, precipita-se, severo.
O delicado exige esmero;
detalhes nunca pecam por exagero,
desde que sinceros.

Dos contos,
os pontos primordiais,
as frases viscerais,
palavras com seus devidos sais e temperos.
Livrai-me dos demais números...

Do Belo e dos belos,
me melo e atropelo, atrapalho-me.
Mesclo sentidos e intentos,
tento me recompor, acalmar o tambor, aplacar os ventos,
ao relento!

Prazeres sem prazo, sem pressa...
Que me jure o acaso, mais nenhuma promessa!
A véspera grita o rio raso,
e eu prefiro o vaso cheio

a uma bacia e uma ilha ao meio.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Costelas I


Vim de um fim passageiro,
passageira dos sins e nãos da vida,
cortejada no centro
e esquecida na avenida
pelo motorista ávido.

Vim de mais um romance incerto,
certa de que por perto só quero a mim.
Enfim, mais um aperto no coração
e a sensação da sôfrega solidão,
porém alívio.

Vim vindo, vendo as paisagens.
Vendo mais do que imagens,
tudo o que me resta, que não é muito,
mas dá para saciar aos olhos.
E algo mais, talvez.

Vim de contos avulsos,
sou alvo de impulsos alheios,
prato cheio, acompanho passeios
com o certo receio
que todos têm na tez.