quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Maré

E então, que fazem abertas estas aspas?
Muito já foi dito sobre solidão, mas estes escritos nunca foram concedidos aos teus olhos. Quiçá nunca serão verdadeiramente teus. Que os tem agora, mas não tens a mim.
E só o que tenho são estas mãos tremulas que rabiscam palavras ilegíveis e um sorriso amarelo camuflado em meio a um mar de gente.
Sobe, desce maré; passo despercebido, sem adjetivo algum.
E então, para que servem estas aspas que tens? Fecha-as agora!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pulo


E nosso encontro deu-se em um pulo; um susto.
A vida acontece nas lacunas da rotina, os amores são fruto do inesperado.
Mas afinal, ainda dá para se prever o itinerário do destino e as voltas que a vida há de dar.
Quem sabe eu não sou só um nó?
Que faltou um “s” para sermos nós.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esclarecimentos Posteriores


Descrente do futuro, como sou, esta não foi uma revelação ou qualquer espécie de aposta no destino. Este foi um desafio proposto aos demais jogadores; foi o anúncio da natureza humana – perversa e cruel – que se apresenta tão egoísta, mas que se mostra tão mais inconseqüente do que racional; é a dúvida sobre a minha compreensão – esse meu ciúmes de mim mesmo – que faz-me descartar a hipótese de ser decifrado por apenas um.

por Franco-

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sonhante

Acho-me nessas despedidas rápidas de expectativas. Encontro-me exatamente nestes momentos em que o sonho se esvai e a realidade nos envolve. Tenho-me lá em minhas montanhas-russas; em meus “desumores”, desavenças, discussões com o destino.
Procuro-me no sonhar, encontro-me no momento.
E de tanto cálculo que fiz, no fim, só me restou o tempo perdido: espontâneo.
Que os planos, mirabolantes que sejam, caem à terra e as impressões se imprimem na temperatura do presente. Nunca me adiantaria ser frio: rendo-me ao espetáculo e derreto-me com a performance.
Sou mesmo... inconstante.