quarta-feira, 29 de julho de 2009

Cobertor de Estrelas

Me desarma, me enlouquece, me encanta.
Me nina com sua voz doce e trás toda a serenidade que há muito eu não conhecia.
E não preciso mais de livros, nem de canções decoradas, por que nenhuma delas é tão envolvente quanto as verdades que saem de seus lábios pelo espontâneo! Entre sorrisos vai me conquistando aos poucos e me tira do sério, e aí estou eu, novamente, sem saber o que fazer, o que falar...
Enquanto vêm as suas, as minhas recuam: palavras.

E sob este cobertor de estrelas não há o que se dizer.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Do autor


Não faço questão de ser uma dúvida, apenas a sou.
Devo me desculpar pelo fato de que não compreendes minha verdadeira essência? E se falo assim, alto, é por que sei de cada um.
Se o mistério é um pecado, pois já não fui julgado muito antes de ser lido? Pois teus olhos já não haviam me condenado antes que minhas palavras te perfurassem? Que cada cor da minha roupa já não tinha sido exageradamente extravagante, e o meu mau gosto já não tinha te assustado?
E para ti sou efusivo! De sorrisos largos que te enfeitam a face por serem contagiantes! Mas a ironia, seca, é sutil demais para ser percebida, não?
Eis meu vício: personagens sorridentes.
Acordo todo dia decidido a interpretar, mesmo sabendo que sérios mesmo são os palhaços.

domingo, 5 de julho de 2009

Em trechos particulares



Sinto como se tivesse vivido uma eternidade, e agora, parto para a segunda. Mil anos de solidão preenchidos por histórias de amor inventadas e a verdade é que essas minhas personagens nunca conseguiram se realizar.
Alguma dificuldade para respirar, quiçá por este coração que ocupa todo o peito. Tenho medo de ser perpétuo. E é este o motivo do meu pedido por perdão, afinal, como posso escolher se minhas escolhas são tão definitivas? Se a cada passo que marca este solo milhões de nomes me vêm à mente. E logo todos morrem, cada um em seu devido tempo, porém eu.
Continuam as lembranças de cada passado individual.
Porque eu nunca me fiz tornar real? Porque eu inventei tantos sentimentos com nomes diferentes e nomeei cada noite que passei acordado se delas eu queria me esquecer?
Faz muito tempo que estou fechado para visitas e não há chave extra escondida em lugar algum. Não há quem possa, venha, me acordar enquanto me atraso para a vida. Um universo ilimitado, mas extremamente só. Individual em cada mínimo detalhe e cheio de vida, mas de pessoas feitas de palavras.
Acabo me perdendo na multidão.  Cada momento são frases e frases, compostas de palavras convenientes e convincentes, costuradas em linhas coesas que dão um tricô belo de se ver.
Visto este novo robe: só as roupas que me agradam quando ocupo-me de meu hobby.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Baixa Caixa Alta

-E por que essas letras maiúsculas aí são tão minúsculas?
-É para que ninguém consiga ler o tamanho do meu amor por você, por que é algo tão grande que eu só consigo dizer gritado. Me expresso com palavras devido ao vinculo forjado entre nós que exige de mim o tamanho, a entonação e a sinceridade. Escrevo baixo para que algo que é nosso não fuja por aí, de bocas em bocas que não sabemos por onde passam. Escrevo, pois aqui explicito toda a essência e acabo com qualquer subjetividade ou dúvida que possa ter permanecido.