sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Saber Morrer

Penso sobre a minha morte com frequência. Pensando nisso, penso que muitos pensem também, que o assunto é mais natural do que se parece. Não penso na forma como eu vou morrer, o que vai desencadear o fato em si, mas sim no meu estado de espírito imediato após o desencarne; penso sobre a minha satisfação em relação a mais esta trajetória na carne. Penso se estarei feliz e terei cumprido aquilo que me propus, penso se terei consciência instantânea de que já não integro o corpo vivo do mundo, penso no que terá mudado em minha vida  até este momento derradeiro.
Tento não pensar em legado, mas o faço, claro. O quanto eu terei contribuído para o corpo social e se foi realmente válido. O quanto disso eu já alcancei e o que eu posso e devo começar a fazer para ter mais sucesso nessa empreitada. Talvez pareça mórbido um texto sobre o vindouro definitivo, mas para mim é natural. Posso ter inúmeros apegos e, não se engane, amo muito a vida que tenho. Sou grato por quem eu sou, mas não tenho receio de deixar de ser isto para ser o que sempre fui antes desta casca. Também não tenho pressa, apenas contemplo a impermanência que rege o efêmero e me curvo a ela. E penso: a raíz da angústia é o despreparo... Não. A raiz da angústia é a negligência. Saber morrer é uma obrigação.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Indigesto

 

A resposta indelicada é aquela que priva o interlocutor de pensar. Há perguntas que não devem ser respondias. Há diálogos que precisam ser monólogos internos. As explicações em excesso descreditam o incrível até torná-lo palatável. E há sabores que precisam ser descobertos por conta e risco. Algumas refeições precisam ser degustadas sem temperos. Sem talheres, talvez. Sem conversa... Nem tudo é para ser entendido, algumas coisas devem ser apreciadas. Tem gente que não sabe comer sozinho. E passa fome. Desnutrido de tudo, miojo, coisa pronta, paladar viciado. Há respostas que não se encontram nas prateleiras, nem tudo está ao alcance os olhos. É bom que assim seja. Às vezes vê-se demais e se enxerga tão pouco... melhor mesmo é sentir.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Do que não é Eterno


Tudo o que se cria, sentencia-se
Eis Saturno: pare & devora
Tempo é a condição de liberdade.