quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Espirro


Te vi a poesia.
Mentira, sabe como são os escritores... Não foi tão abrupto.
A gente conversava [/automático] e eu me indagava, distante das banalidades, se merecia tanto; não merecia.
Então te escrevo essa prosa que é pra saldar meu débito poético, posto que não te fiz musa e nem foda, com todo o respeito.
Mais fácil excitar velho murcho do que inspirar autor desinteressado. Maracujá azedo, nem com açúcar de vizinho. E, é claro, antiquado tanto como me convém, torno-me cafajeste em seus lábios, após a leitura maldosa. Mas não tem maldade, é só um desencanto rotineiro.
Às vezes eu me engano feio...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Banho de Rosas Brancas


Se um indivíduo for capaz de me perturbar,
este então merece o meu perdão
pois a Vontade que mensura sua inquietude
é maior que a Vontade empregue em minha serenidade.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Quiromante


Analiso as minhas mãos como quem recém encarnou.
Em meio ao macio, sulcos de histórias
rios que me conduzem além do agora
ramificações & modificações
a deságua em longos dedos
e os nós atados,
sujos de tinta.

Eu tenho no corpo marcado vestígios de todas as cores que usei.
De cada quadro um rastro
eis-me alabastro ao Belo!
sagrado & sujo
nu composto.

Do intento, o ingênuo
o efeito é causa nova,
arte vestal.

reflexo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ensaio sobre a dor


A dor é sagrada, pois é ela que nos aparta da apatia e da insensibilidade.
Aquele que julga a dor do outro é leviano, pois o faz sem meios para tal. Nem a empatia é capaz de compreender as delicadas particularidades que cada situação assume.
Todo problema incorpora arquétipos íntimos e evoca uma teia de complexidade tão sutil que pode ser facilmente desprezada por aquele que se apressa em medir tais enigmas e compará-los sob o jugo da razão.
Ciência alguma justifica uma crise existencial. O indivíduo regula a si mesmo. Sua percepção da realidade é composta de sobreposições de experiências, fazendo dele mais pessoal do que um amontoado de crenças das quais o próprio compartilha. A dor é o produto da incapacidade de lidar com a própria autonomia. Cada ser opera um sistema único, de soluções individuais e de intensidade incognoscível.
É a dor quem sela nossos entendimentos e garante nosso aprendizado. Inqualificável, e portanto, livre.