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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Véus

Deitei-me em teu seio e meu anseio era me perder em meio ao recheio de teus lábios.
Chamei-te singular, fiz-te meu par, e declarei qualquer lugar ser um lar para os sábios. Cantei-te cantos, enquanto atravessava os mantos que separavam-me do encanto inefável. Inefável.

Aborto

Haviam duas maneiras de resolver aquela situação: ou esperava o trem do dia seguinte ou ia-se caminhando até o destino final. Nietzsche diz que “de duas coisas uma é mais necessária que a outra” e eu digo que entre duas escolhas, uma deve ser mais sensata. De fato, o local para onde ele devia rumar era um pouco distante daquela estação, mas seu avô o ensinara desde pequeno que tragédias só acontecem com quem se encontra inerte e que estar em constante movimento é ter controle do próprio destino. Em outras palavras, ele se pôs a andar pois era o que o manteria bem consigo mesmo. Sabia das vantagens de esperar, mas dominava o verbo com tal maestria que chegara à conclusão de que tratava-se de um estado de espírito. Sidarta o entenderia muito bem e aprovaria suas decisões, e foi isso que lhe deu ânimo para começar sua caminhada. A princípio pensou na hipótese de ir andando pelas estações, percorrendo o caminho do trem até o horário de pegá-lo aonde quer que fosse. Depois descartou esta …

Imperfeito II

depois que o casulo se rompe. mas há quem vá sentir saudades, portanto: imperfeito.
“Que queres?” “Que me tomes por completa!” “Pois como eu poderia? Se já não és mais nada e nem sequer existes!” “Que te fiz para que sejas tão cruel?” “Nada me fizestes! Nunca existiu. Ando em delírios, conversando com assombrações...” “Mas que faço em tua fronte? A pelejar que ao menos me olhes nos olhos enquanto cospes-me palavras!” “Em minha fronte, ou em meu encalço: tu somente me perturbas. Sombra minha, vejo-te em cada esquina!” “Pois vês me demasiado! Mesmo eu, que já não saio de casa sem esperança, e vivo na expectativa de encontrar-te aonde quer que eu vá, frustro-me diariamente sem saber mais a qual santa recorrer, qual promessa realizar! E ainda a Lua que evoca-me tua imagem e que me escuta dia e noite, em meus lamúrios sussurrados à escuridão...” “Mas antes fossem sussurros e a escuridão fosse tua única cúmplice. A cidade chora pelos teus erros, histórias mal contadas de tantos pontos extras que emoci…

Bonsai

Eis que surge a necessidade de reformulação pela própria lei da inconstância.
Não é que tudo há de ser atualizado e que as prateleiras de arquivamento tenham de ser desfeitas, mas o obsoleto, analisado com olhos mais perspicazes, deve ser deixado de lado, assim como os galhos desnecessários de uma muda são podados para que a árvore continue a se desenvolver. Grande parte dos textos antigos serão apagados de forma a tentarem formar uma identidade visual de quatro por mês, salvas possíveis exceções . Outros textos serão reformulados e postados no lugar de seu link original, tais como ReencontroA Floresta, Combinação de Infinitos, Insônia, Imprevisível, entre outros¹. Por essa trajetória de revirar passados eu me deparei com alguns estados de consciência alterados dos quais eu senti saudades, e por vezes encontrei alguns textos que serviam de âncoras para dias remotos perdidos em minha memória. Toda esta nostalgia fez com que eu entendesse que há textos que deveriam ser atualizados sim…