quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os Outros

Dizeis-me incompreensível
Ó, não achais que este é um privilégio apenas teu!
Não me entender é muito fácil:
Exige apenas um punhado de conformismo
E a ausência de empatia.

Viver para si é honrado
Mas, por vezes,
Resulta em indelicadeza.
E é preciso ser delicado para apreciar-se.

Entender-me, porém, também não é vantagem.
É pressuposta a liberdade que os arrogantes acham que detém
E liberdade diz respeito a uma profundeza de espírito tão aquém do mundo
Que diz muito sobre incompreensão.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Âmago Amargo

Severo, pois vês-me as sombras da face e lês as linhas dos calos.
Rude quando a voz é velada e a frase é curta.
Felizes os mistérios, que ganham o mundo sem desnudarem-se e povoam as bocas pelas fantasias.
Pois não seria o deleite mera provocação?

Íntimo, além de mim.
Quando desconheces-me é quando sou;

E quando sou, uivo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Desuso

Você não quer ser vulgar. Eu não quero ser trivial, posso ser usual. Precário. Há êxito em ser notável! Depende pelo quê. Diálogos são mais fáceis... Mas este não é um diálogo. É um monólogo. Não está vendo que não há aspas ou travessões? Mas por que isso agora? Você estava abusando das regras. Como abusando das regras?! Você estava criando muitas personagens e deixando-as soltas por aí. Ninguém quer vagar a esmo, ser personalidade errante. Você não pode simplesmente animar as palavras e depois desanimá-las... Mas eu não as desanimei! DESÂNIMO, tédio, ócio. Entendeu agora? Insatisfação? Sim, legítima. Como assim?! Como não? Questione suas criações, ó céus! Eu sei como elas se sentem! Ledo engano!  Sabe do contexto, não sabe do abandono! Enfim, elas alegam invalidade. É grave? É uma espécie de rebelião. Você sabe, as palavras são perigosas... Sei. Bem, eu poderia... ajuntá-las todas numa única história, meio que unificando o contexto delas... Uma intertextualização, literalmente! Em forma de diálogo? Sim, tornaria as coisas mais simples... E muitas delas não têm limites bem definidos, resumindo-se a formas de falar e posicionamentos ideológicos. Está vendo? É disso que estamos falando! É esse o motivo do tumulto! Simplicidade? DESCARACTERIZAÇÃO. Que tal? Bem... Pensando por esse lado... Não há lados, só há eufemismo da sua parte. Isso é abuso de linguagem, entendeu? Mas a gente gosta do jeito que você floreia! Um jardim suspenso então? Agora está falando a minha língua! Uma torre de Babel, enorme! Quase um trava-línguas! Isso! Talvez um quebra-cabeça monumental! Sim... Mas, afinal, quem é você?! O porta-voz deles?! Não, garoto. Essa parte não ficou clara, não é? Eu sou o seu porta-voz. Eu tenho livre acesso por aqui. Só estou tentando te livrar dessa enrascada. Sabe? Você deixa muitas sombras por onde passa...


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O que é, o que é?

A princípio era o mais distante dos distantes.
Posteriormente, foi o mais próximo dos próximos.
Agora já não usa de superlativos
E depois não se valerá nem de metáforas.