segunda-feira, 29 de outubro de 2012

À base de ração

O fetiche imposto ao seu animal de estimação o renderá, pelo menos, mais uma encarnação.
Aliás, este próprio adjetivo padrão é equivocado, uma vez que ele é símbolo de status, e não apreço.
Os grilhões estão na percepção, no ponto de vista. Eu não espero que você me entenda, por que se o fizer, o fará mal. Além do mais, você também deve reencarnar para, como diz o Eduardo Pinheiro, ver um pouco de televisão ou ter uma vasta coleção de selos...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Tênue


  Arrebento mais uma linha por descuido. Eis a fragilidade da teia que nos envolve e, no entanto, ela a tudo engloba.
  Eu, que costuro palavras, num remendo tardio, emendo pensamentos e os aglomero em linhas extensas. Teço poesias remetidas a remetentes em busca de remissão. Paradoxalmente fractal.
  O entroncamento de paralelos é a comunhão dos opostos. Trilha o caminho da probidade e eis a transmutação da probabilidade. Os véus estão ondulando por todo tempo nesta brisa incessante, mas os poucos que não a chamam calmaria só protestam a maresia pretenciosa de seus olfatos ímpios.
  Redenção, pois, para os santos, apenas. É este seu atributo.
   Enlevemo-nos a nós mesmos, pois é isto que nos compete. Completude.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Tempestuoso

 
Toma tua trilha. Tomba tuas tralhas, triviais.
Troca-te: transpassa teus tons!
Traja teu trajeto & trata ternamente teu tratante.
Traça tua teia tensa tão trabalhada, tricotada...
TEMEROSO TEMPO TERRENO, TENHA-TE!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Agravo


Você, que é seu cargo e que se encarrega de carregar para todos os lados o fardo de sê-lo.

Você, que é só profissão, limitado ao seu ganha pão e nada mais: negocia a consciência, a moral e a própria paz. Já tanto faz.

Você, que se apresenta como trabalhador, antes mesmo de falar do amor ou do tempo. Que se envaidece e se esquece do momento, inicia diálogos sem cumprimentos.

Você, sem nome, mas um belo emprego. E uma promessa vazia de sossego.

Mas você nunca acreditou em utopias.

Vive a vida em cores frias; não é pai, apesar das crias; não é amigo, apesar das companhias; não é palhaço, apesar das fantasias.

As doses de ironia que o cotidiano nos reserva: resumia-se ao vício de seu ofício, e à concepção de uma vida severa.