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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Calão

- Eu tenho vivido situações que se eu te contasse você não acreditaria. - Por que você não tenta? Talvez eu acredite... - Mas talvez, se eu partilhar minha fascinação, posso perdê-la. - Ou talvez você possa contagiar-me. Seria interessante. - A curiosidade tenta o casto. Há um tanto de luxúria em dizer mais que o necessário. - Você já pecou hoje. - Sim, perdoe-me pelo diálogo impertinente. - Incômodos à parte, o perdão é arte. Eu só não entendo essa sua resistência em se abrir para os outros... - Não é questão de me abrir, é questão de banalizar algo sagrado. Eu não sei se eu teria vocabulário para convidá-lo à minha galeria experiencial sem que a visita se tornasse algo tedioso. E a questão não é o que você vai experimentar, mas como a sua experiência afeta a experiência primária. É uma relação ambígua onde causa e efeito diluem-se, perdem suas definições. - Mas, ao mesmo tempo, você sente esse impulso de querer exibir o belo. Seu belo. Sem saber se ele só o é, realmente, aos olhos dos outros…

IV*

(*) O contexto acabou encorpando-se muito mais do que o esperado, portanto os títulos serão numerações em algarismos romanos. Fascículos anteriores: a conclusão de um capítulo,  passagens de uma história nunca escrita & outras passagens.
E nunca ousaram perguntar-lhe quais as dores e as delícias  de se poder fabricar sonhos.  Mas ele as sabia bem.  E as enumeraria  assim que fosse necessário.  Tudo em seu tempo.  Estraño.
Dúvidas deixam sombras marcadas. Da mesma forma que o sol do meio dia o faz sobre a pele do trabalhador rural. E o imaginário popular inquieta-se diante das questões levantadas em voz baixa. Por que, nas vilas, gritam-se apenas os preços da feira, que já não interessam a ninguém. E quanto às fofocas, o alvoroço de uma cidade ávida por compartilhar aquilo que não lhes pertence. Afinal, de fato, o que é seu é meu, e esta é a lei da selva. Quando adentrou à cidadezinha aquela figura inusitada a curiosidade se manifestou instantaneamente em olhares surpresos e línguas que não …

Informalidade

Amores de corredores passageiros como as cores do arco-íris quando cessa a tempestade
O céu aberto, límpido, revela a majestade; a moça um sorriso de quase-intimidade.

Emenda

Ponto em que duas peças se juntam.
As palavras que escrevo ondulam na folha branca.
Resolvi rascunhar como prova para posteridade. Acho a caligrafia mais sincera e romântica, então achei oportuno. Não garanto que seja mais bonito, mesmo por que as rasuras você não verá, mas as palavras ajuntadas na tinta azul, em meus traços tortuosos, me enchem os olhos e preenchem este vazio que as poesias de hoje possuem.
Tomo cautela com o simples, pois o sei voraz: síntese de tanto, palatável apenas ao apreço, custa caro. Assim se faz o Amor ao leigo de muitas palavras, inexprimível. Mas eu tinha de rabiscar o papel.
Deixei marcado o seu nome nas entrelinhas, e só esta frase atestada – dispensável, eu acho.