quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Fardo

de devaneio dominical & das frustrações de fazer “apoteose" inteligível oralmente.
lido, ironicamente, no Sarau dos Vira-Latas.
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Fardo

Há textos que não cabem na leitura para terceiros.
Ainda que declamem-no com ardor e intenção; ainda que a voz tenha a entoação adequada para perfurar qualquer obstáculo sonoro e fazer-se triunfante em um ambiente; ainda que o intérprete consiga reunir a atenção de seus expectadores e colecioná-la com uma satisfação fria, como fazem os poetas: manipulando as palavras que os agradam e encaixando-as com destreza em uma composição majestosa.  Há frases indecifráveis aos ouvidos, há palavras cuja voz é incapaz em proferi-las.
Um texto carrega rasuras, texturas, borrões! De café ou de um vinho barato, que preenchem-no as lacunas e completam-no no contemplar. Um texto e seu contexto: ilegível à língua. E que esta tateie, no escuro, à vontade! Mas as entrelinhas escondem o essencial e há segredos que não se revelam à luz de holofotes. Que só um abajur ao pé da cama ou uma luminária improvisada serão capazes em restituir-lhe o real sentido.
O público pode deliciar-se com a atuação e todo o teatro deste que declama. Mas, em meio a um mar de gente, há aqueles ansiosos, em uma indignação justa, por sentirem-se assaltados! Estes compreendem que o que lhes é exposto em uma prosa maquiada é apenas parte de um todo; que as peças não dão conta de traduzir a obra, que se faz tão mais profunda do que uma leitura excepcional; que, fracionado, o texto só carrega o deslumbre deste que vos lê, só carrega a responsabilidade de gritar ao mundo aquilo que o tocou tão íntimo.
Para o leitor é um alívio. Quase como uma confissão em troca de obter-se são, este compartilha suas sensações pensando fazer-se menos egoísta. Se a intenção é o que vinga, perdoem portanto este elo entre vós e a liberdade, inconsciente de estar usurpando da plateia a oportunidade do primeiro contato direto, da apreciação sem expectativas ou interpretações precedentes. O roubo do íntimo!
Se é pretensão ou apenas ingenuidade de querer ser lido pela alma, ao menos o texto permite mostrar-se o bastante, em um estímulo sutil mas eficiente, ao despertar a curiosidade destes ouvintes pacientes. E se os grilhões que vos são expostos aqui passam a incomodar-vos realmente, a busca, posterior, será insistente, pois trata-se de liberdade.
E se, para nada mais, além de seu próprio contentamento, serve este intermédio que aqui se dispõe, tem, em último caso, a função de vos instigar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Da Liberdade

A liberdade "real" só existe a título de ilustração.
Quando se compreende o que ela é, em essência, compreende-se que não se pode obtê-la.
E, assim, responsabilidade para lidar com tal condição humana...


a utopia jaz na mente de incapazes.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Instinto

Aquele que não anseia novos ares
descobre-se inconsciente de seus próprios pilares.

domingo, 6 de novembro de 2011

Da curiosidade

Identificada aqui como instinto humano, numa pitada de sarcasmo que a tempera:

pois se não pra ouvir confissões alheias, qual outro mérito em ser padre?