sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Semântica Hermética


Palavras que saem de nossos lábios sempre retornam à nós.

Agradeço pela forma com que estas se manifestam: é bom contar com o caos & com a memória daqueles que possuem sensibilidade o suficiente para imergir & fazer de meras palavras um sentido amplo.
à uma certa Rai :)


A melhor forma de recompensar o Universo e, consequentemente, a si mesmo é estando completamente à vontade & contente com o presente.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Inválidez



quando “reforma” refere-se à aposentadoria

Manipulo tuas alamedas: antecipo outonos & deponho teus jardins babilônicos.
Folhas esvaem-se & a vizinhança receptiva distanciou-se sutil.
Os ventos frios cuidam do uivo que enchem-lhe os ouvidos, pois o bairro soa amordaçado. Teus verbetes já não lhe são familiares, tampouco o caminho usual.  Rondas num, já, labirinto.
Sois temor, sem qualquer alívio em mapas, consultas vãs! Tens a ti na desesperança tardia, mas desperta, de não te conheceres e, portanto, perdurará insondável até que te permitas!
Cercado em ti podes ver as sombras que se alongam num ocaso demorado, e saber-te em uma rua sem saída é incitar tua grandeza, porém tua salvaguarda covarde, que vem restaurar-lhe a ficção para que te apóies em quimeras fantásticas:
-Isto é questão de experiência, pois compare nossas idades!
São com estas pretenções levianas com que ludibrias tua própria consciência! Apega-te à tua abstração neurótica e busca sustentar uma ideia equivocada de livre arbítrio.
POBRE CRIATURA DIMINUTA! Como se o tempo lhe concedesse rendenção invariavelmente! Ages como se teu cárcere fosse de ouro e tua pena fosse consensual! E beira abismos em receios mascarados de soberba, numa cabeça erguida que te amputa os sentidos e sepulta-te em ti, logo conserva tua segurança: arrasta-a junto contigo em teu definhar.
Tuas fronteiras estreitaram-se; milícias insentaram-se; prazos consumiram-se.
O tempo não te faz/fez tão bem.
Mas já tá feito.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A metáfora da Escultura

Todos somos blocos de gesso a serem moldados. Cada um possui um volume diferente, disforme e único, e espera-se que sejamos nós os artesãos, apesar de que muitas vezes nos eximamos desta responsabilidade...
Mas se nos dispomos a lapidarmo-nos, depois de muito, chega-se à uma forma universal. Digamos, para fins didáticos, que uma mini-esfera nos aguarde por dentro de toda essa "carapaça cultural". Essa esfera é uniforme e contém apenas algumas regências que pautam as relações de si com o que se cerca e fora dela tudo mais é relevante e desnecessário.
As "grades culturais", relativizadas, revelam a potencialidade pura e dão condições de espreitar um padrão pelo qual as coisas se desdobram.
Ironicamente, a esfera pode ser comparada aos "dez mandamentos divinos".
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Se relativizarmos a metáfora: não há molde de gesso, não há forma geométrica e não há grades. A lapidação e as regências são indiscutíveis

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Lânguido

Aos incapazes


Escassos, mesmo em sonhos.
A ilusão do tempo lhes escorre pelas mãos, atadas por si mesmos, não numa penitência, mas na vã tentativa de reconfortarem-se.

Sua própria perspectiva os limita e o culto ao lúdico é nostalgia.

O útero se decompôs e agora são fetos ao relento, putrefatos, em suas saudades eternas do seio que lhes permitia a saliência inoportuna; do tempo em que sentiam-se necessários, bem-vindos.

Sobrevivem póstumos, em busca do sentido infindável de sua existência.

E, por vezes, pensam terem-na encontrado: apegam-se a certezas e defendem-nas como se nada mais lhes restasse. Até que estas se provam bambas – como eles. Frouxos.

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Quem vive na merda, quando tem chance de virar adubo, se prontifica.