segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Inválidez



quando “reforma” refere-se à aposentadoria

Manipulo tuas alamedas: antecipo outonos & deponho teus jardins babilônicos.
Folhas esvaem-se & a vizinhança receptiva distanciou-se sutil.
Os ventos frios cuidam do uivo que enchem-lhe os ouvidos, pois o bairro soa amordaçado. Teus verbetes já não lhe são familiares, tampouco o caminho usual.  Rondas num, já, labirinto.
Sois temor, sem qualquer alívio em mapas, consultas vãs! Tens a ti na desesperança tardia, mas desperta, de não te conheceres e, portanto, perdurará insondável até que te permitas!
Cercado em ti podes ver as sombras que se alongam num ocaso demorado, e saber-te em uma rua sem saída é incitar tua grandeza, porém tua salvaguarda covarde, que vem restaurar-lhe a ficção para que te apóies em quimeras fantásticas:
-Isto é questão de experiência, pois compare nossas idades!
São com estas pretenções levianas com que ludibrias tua própria consciência! Apega-te à tua abstração neurótica e busca sustentar uma ideia equivocada de livre arbítrio.
POBRE CRIATURA DIMINUTA! Como se o tempo lhe concedesse rendenção invariavelmente! Ages como se teu cárcere fosse de ouro e tua pena fosse consensual! E beira abismos em receios mascarados de soberba, numa cabeça erguida que te amputa os sentidos e sepulta-te em ti, logo conserva tua segurança: arrasta-a junto contigo em teu definhar.
Tuas fronteiras estreitaram-se; milícias insentaram-se; prazos consumiram-se.
O tempo não te faz/fez tão bem.
Mas já tá feito.

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