quarta-feira, 27 de maio de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Página Solta

De modo que seria insensato continuar ostentando seus luxos e não-me-toques, pois dera-se conta de sua estaticidade e invalidez. Então chegara a hora de abdicar-se de objetos e valores e dispor-se ao curso com espontaneidade.

Mas quais serão as palavras dos outros? Julgamento incisivo que norteia seus atos. E isso já é um tanto desmotivador.
E qual será o seu objetivo? E resta saber se será seu ou dos outros. Sua ascensão sempre esteve enraizada em seu ciclo social.
E que calçado te dará o passo firme? Pois a estética é imprescindível e você sempre prezou por aliar o útil ao agradável, ainda que tivesse de pagar mais por isso.
E, ainda, quem projetará teu caminho e quem o construirá? Pois não venha me dizer que você o fará. Você só pisa em estrelas! o teu tapete vermelho não toca o chão com medo da poeira!

E em um belo dia a vassoura não será nem transporte nem limpeza e o pó de arroz não será mais um entorpecente ou artefato para a beleza. E será tudo em vão:

Quem carrega jarros nas costas é por que não sabe dar vazão.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Calma

A mão que esfrega as pálpebras em busca de calma fere os olhos e estoura as veias.


e, quanto mais eu procuro por calma, mais eu estouro meus nervos.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Um bilhetinho

"A sorte lhe faltou ao ter sido moldado com tanta inconstância”.
Foi um lembrete da noite anterior, fruto da insônia que reduzia minhas opções. E uma hora  nosso corpo desaba sem que sequer nos demos conta e é geralmente quando se diagnostica o estado crítico. Quando acordamos a amnésia já tinha nos envolvido novamente e tudo o que sobrou foi o saldo com nosso corpo, que já era negativo e agora passava a ser insuportável.
Álcool demais, distrações involuntárias como conseqüência das noites mal dormidas, músculos atrofiados, falta de higiene e refeições desequilibradas. E tudo resultava na falta de ânimo para as coisas novas e o sincero desejo pela nossa cama e a eterna solidão do sono. Transitamos entre o sonhar e a vigília sem saber exatamente onde nos encontramos. E, indiferentes,  nem esperamos a visita do extraordinário, já que nunca nos lembramos de nossos sonhos.
Acordamos cada dia um e por isso insistimos para que os verbos sejam plurais. Pois múltiplos, sentamos sempre na mesma cadeira a realizar sempre as mesmas tarefas numa rotina que não nos comporta, por sermos demasiadamente um. Excedemos o limite de um corpo e transbordamos nas atividades diárias e, derramados, sentimo-nos desperdiçados e, ainda assim, impotentes perante os demais. Somos ideias, e sentimentos, e planos, e atos, e não queremos ser contidos. Necessitamos ser controversos, paradoxos rumando à genialidade e desmistificando extremos, provando que a alinearidade se comporta e se complementa de uma forma intrigante. Queríamos solucionarmo-nos, mas não há espaço para isso.
Em decorrência das circunstâncias, nosso expurgo caprichoso. E nessa sublimação, acabamos por deteriorar constantemente o corpo que habitamos. Talvez dessa forma até faça mais sentido nossa existência múltipla, mas de fato não é tão confortável como parece.
Em desvairos esquizofrênicos caminhamos pela casa, de cômodo a cômodo, conversando em voz alta. Eis que, nesses dias passados, nos deparamos com um um bilhetinho no chão:
“A sorte lhe faltou ao ter sido moldado com tanta inconstância”
E no verso:
"Ou não."