sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Flerte


A vida me sorri e eu reparo bem nos dentes dela.
Eu sempre faço isso; primeiro avalio o sorriso, depois julgo a sinceridade
Prefiro sorrisos amarelos a dentes amarelados.
Talvez a estética da arte seja a métrica da diplomacia,
E os menos esclarecidos a tomem por hipocrisia...

Eu não explico como as coisas funcionam.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Um Livro em Branco

- Às vezes você é inacessível...
- É o que torna as coisas interessantes.
- Eu preferiria não ter que sair da festa.
- Nós voltamos.
- Demoramos?
- Depende de você.
- Eu estou de salto.
- Eu te espero. O tempo que for.
- Assim é melhor.
- Sabe o que torna as coisas inacessíveis?
- Os outros?
- A nossa falta de confiança neles. O mundo se escancara pra qualquer um, mas às vezes a gente quer as coisas do nosso jeito. É o que transfigura o simples.
- O orgulho é humano.
- Às vezes eu me distraio; o silêncio vale ouro.
- Você torna as coisas compreensíveis...
- Jura?
- É melhor que autoajuda.
- Vou tomar como um elogio.
- Eu gosto.
- Você pode ser meu prefácio.
- Eu posso ser a sua capa...
- Não vai perguntar para onde eu estou te levando?
- Não. Vou deixar você fazer as coisas do seu jeito.
- Isso é confiança?
- Não, é orgulho.
- Eu acabo de me dar conta de que menti para você...
- O quê?
- Nós não vamos voltar pra festa.
- Melhor assim.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Costelas X


Nulos ou brancos dias
Às vezes a azia pós-estímulo chulo
Às vezes, mea-culpa, companhia azeda
Vereda tardia, rumo ao segundo casulo:
Aos meus olhos moedas; e vistam-me com seda.

A vida se arremeda, mas alterna a voz
Ao espelho consulto a tenra queda de silhueta
Das brevidades que nos reservam o tocar das trombetas
Os conselhos das avós,
Em forma de historietas.

De borboleta à mariposa, poso à morte que nos serve
Pouso leve, trava a sorte e encaminha com sutileza
Da beleza da consorte às tristezas de esposa
Enfim, a livre prosa
E as rosas que se deve.

À posteridade lego a família
Eis a herança: tal Mãe como Filha
Saudade não é sossego
É o desapego o fruto da abastança
E é esta a dança à qual me entrego.