segunda-feira, 30 de abril de 2012

Aspas

A liberdade está na fechadura do sanitário.


"livre"

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Solvente


Não importa quanto tempo eu passe contigo, nunca é suficiente.
E a despedida, temporária, é sempre um parto que vem me rasgando cada vez mais.

Eu sofro de uma perda de identidade, constante & progressiva. E estes lapsos compõem-me lacunas! Mais do que isso, compõem-me saudades.
Em uma canção que não sei se posso dizer que é triste. E também não posso dizer que é ritmada. Musicada à capela, num respiro incerto de quem toma-se por um ato impetuoso; de quem decide-se, à beira do ouvido, arriscar um sussurro: GRITANTE!


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Minha prosa é confissão. E por sê-la é poesia. E é mais do que frases ensaiadas ou espontâneas, pois tem um quê de desespero; É mais do que um pedido de socorro, pois tem uma dose de desesperança; É mais do que uma declaração. Eu já me encontro completamente explícito, de expressões sublinhadas & pensamentos escancarados: sou todo legível.

Distante, por ter me deparado com a saudade. Absorto, por sabê-la insolúvel.



Obrigado a beber
                          um copo
                          cheio
                          de um veneno
                          amargo
                          que me dilacera por dentro
                          toda vez que você parte.


                          E me parte. Me rasga. Me corrói.

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INSACIÁVEL!

Penso se só vou parar quando extinguir-me...

E no escuro, o silêncio.
O papel que se rasga implacável, mas que é suave aos ouvidos. 
Termina seco, sem cerimônias.
E caem as trevas sobre o palco vazio.
Aplausos para o meu teatro! Uivos para o meu vício!



Tudo
para dizer que não penso em parar.


Eu nem saberia como...

terça-feira, 17 de abril de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Afã


Hoje meu lar é um ponto de ônibus, um banco no aeroporto. Faço a minha casa em qualquer esquina, qualquer espera. Vida de encruzilhadas.
E compartilho o destino com desconhecidos em minutos que se estendem imponentes. O relógio assenta-se por graça, pomposo & gozado! E, como a lebre, perde a disputa. Hoje o dia é da tartaruga; do viajante.
Avenidas são linhas de nós cegos em mapas desajustados. As ruas são vias deserdadas da cidade, perdidas por aí apenas com um nome nas costas. A palavra é gratuita, mas é tão pesada que um silêncio intocado se estende nas matracas preguiçosas & sedentárias. Sons disformes embalam uma sinfonia inorgânica & perturbadora: trilha sonora do cotidiano, despercebida como um filme automático. É nesse contexto em que se configuram guias turísticos todo & qualquer transeunte.
Um contrato cercado de termos & entrelinhas cujas assinaturas são dadas num desvairo sutil. Surto social hereditário, mas artificial, numa estrutura que não se sustenta por viver de muletas: apoia-se & debruça-se & fixa-se: vai de encontro à impermanência e configura-se constante! Transeuntes (estes sim) turistas, perdidos na vida por não saberem esperar!

“encha-me a vida de tempo; & preencha-me o tempo, por piedade! 
já não sei viver alheio! sou um convite ao Diabo, oficina abandonada!
e todo o delírio, a graça do reinvento, a variedade: adjetivados!
já não há verbo. calou-se.”