quarta-feira, 25 de abril de 2012

Solvente


Não importa quanto tempo eu passe contigo, nunca é suficiente.
E a despedida, temporária, é sempre um parto que vem me rasgando cada vez mais.

Eu sofro de uma perda de identidade, constante & progressiva. E estes lapsos compõem-me lacunas! Mais do que isso, compõem-me saudades.
Em uma canção que não sei se posso dizer que é triste. E também não posso dizer que é ritmada. Musicada à capela, num respiro incerto de quem toma-se por um ato impetuoso; de quem decide-se, à beira do ouvido, arriscar um sussurro: GRITANTE!


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Minha prosa é confissão. E por sê-la é poesia. E é mais do que frases ensaiadas ou espontâneas, pois tem um quê de desespero; É mais do que um pedido de socorro, pois tem uma dose de desesperança; É mais do que uma declaração. Eu já me encontro completamente explícito, de expressões sublinhadas & pensamentos escancarados: sou todo legível.

Distante, por ter me deparado com a saudade. Absorto, por sabê-la insolúvel.



Obrigado a beber
                          um copo
                          cheio
                          de um veneno
                          amargo
                          que me dilacera por dentro
                          toda vez que você parte.


                          E me parte. Me rasga. Me corrói.

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INSACIÁVEL!

Penso se só vou parar quando extinguir-me...

E no escuro, o silêncio.
O papel que se rasga implacável, mas que é suave aos ouvidos. 
Termina seco, sem cerimônias.
E caem as trevas sobre o palco vazio.
Aplausos para o meu teatro! Uivos para o meu vício!



Tudo
para dizer que não penso em parar.


Eu nem saberia como...

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