sexta-feira, 28 de abril de 2017

Chave Teórica


A referência é a diferença

entre a compreensão do sutil

e a interpretação literal.

sábado, 22 de abril de 2017

O brilho do Incognoscível

 

Uma Estrela que reluz no horizonte 

brilha de maneira incompreensível

aos olhos da maioria dos homens.


Mesmo assim, encantados, eles não deixam de a admirar.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Abóbada de Cristal


A Torre que traga o desnecessário 

Perfura o véu da Noite Escura

E profana o altar do conveniente.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Inflexão do Saber

As vias do Conhecimento geralmente conduzem a Pontos sem Retorno.

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"Só de você saber que ele sabe o que ele não sabe que você sabe que ele sabe já mostra que o moço sabe bastante, não é? Pois confia na sabedoria do moço que vocês têm muito para trocar."

quarta-feira, 29 de março de 2017

Provérbios da Desigualdade

 

Julgar é dividir. 

Só se faz justiça por referências.

A vaidade é a raiz da parcialidade.

Dois homens nunca chegam à mesma Verdade por palavras.

Autoridade é revestimento de fragmentos de convenção. 

A força convence.

A burocracia é uma ferramenta de protelações providenciais.

Toda reprimenda é uma catarse pessoal.

A linguagem reprime a expressão.

Nenhuma sentença abrange qualquer situação.

Cada ponto tem sua pausa particular. 

Mas isso é privilégio. Pois tudo é reticente. 


quinta-feira, 23 de março de 2017

Perímetro Meticuloso



Não tome o impessoal por apático,

sob pena de confundir 

dissolução com receio.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Autoexistente


Autodomínio é a ciência da compreensão e reformulação das impressões que  os estímulos lhe provocam.

Estímulos que podem ser internos ou externos; Impressões que se dão por ressonância, e só ressoa o que de alguma forma possui afinidade; provocações que por definição são sedutoras e convidativas.

Autodomínio, portanto, é a capacidade de refrear reações, convertê-las em (não-)ações e  perceber todos os seus desdobramentos.


O ser é a extensão de seus atos. De certa maneira somos responsáveis por toda e qualquer influência que produzimos, embora quase sempre sequer desconfiemos até onde vamos...

quinta-feira, 2 de março de 2017

Inquisição Íntima

Há duas perguntas urgentes que precisam ser respondidas:


A primeira é "quem é você?

e a segunda é "quem você pensa que é?"


O que é arbitrário é sempre mais fácil de se responder, porém não nos contenta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Comunhão em meio ao caos minúsculo

Calar é a quarta virtude porque resguardar a palavra significa gestar a oportunidade.


O silêncio não omite, ele apenas não revela: é um reflexo de quem o observa e o eco de quem o contempla. Eis pois por que dizem que o calar é consentir: insensíveis! não enxergam além de si e em seu incômodo julgam o vazio...

O lábio cerrado é o pleroma inefável.


É da imprevisibilidade do cão que não ladra que o incauto busca respostas num oráculo vão. O silêncio é essa entrelinha inescrita num pretensioso destino que acreditam os lunáticos;

é a sutil lacuna no convencional, a possibilidade pura que precede a linguagem. A seta retesada e pontual.


O silêncio é de ouro, como dizem.

E quem diz é de prata...


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Das Posturas


Aos 16 anos de idade eu treinava artes marciais. O treino começava às 19:00 horas em ponto e se você chegasse atrasado você tinha que dar 50 voltas correndo em torno do tatame. Meu pai quem me levava, eu sempre chegava atrasado, o mestre sempre cobrava da gente essa disciplina , então duas vezes por semana eu corria e corria e corria, até cansar. O que estava em jogo não era a vaidade do mestre, a pontualidade para com a aula dele, mas sim o compromisso com aquilo pelo qual ele devia zelar. Aquela Arte era o sagrado, e como seu representante, a ele cabia o papel de nos cobrar essa percepção do mundo. O mestre sempre foi perfeito em sua postura.

Hoje, aos 26, eu trabalho num templo. O horário é o mesmo, 19:00 horas em ponto, mas eu já não dependo de ninguém para me locomover. Independente de qualquer imprevisto, às 19:00 horas a mestra está na sala, no templo. Mas ela não quer saber se você chegou 18:00 ou 20:00, não há nenhuma cobrança, advertência ou punição, nenhuma palavra é proferida. O compromisso continua sendo o mesmo, o ambiente é tão sagrado quanto, mas cada um administra os seus horários e a forma como encara suas obrigações. É claro que uma pessoa que não tem uma postura  condizente com o ambiente mais cedo ou mais tarde é afastada, mas não há qualquer preocupação em controlar diretamente a disciplina dos adeptos. A mestra é perfeita em sua postura.

A diferença entre a mão esquerda e a mão direita está na rigidez e na complacência. Uma orienta o discípulo a enxergar o que precisa ser trabalhado e lhe faz encarar de frente os seus erros até que ele seja apto a administrar a si mesmo. A disciplina é cobrada a cada passo e o sucesso só vem por meio do esforço contínuo. 

A outra exige a mesma disciplina e o mesmo esforço, mas a cobrança é implícita e sutil. O indivíduo tem uma maior ilusão de liberdade, mas ele precisa ser perspicaz e auto-centrado, pois parte-se do princípio que o adepto é passível de gerir-se e de lidar com suas obrigações. E se a incapacidade é atestada ele simplesmente deixa de integrar a tradição.

Ambos os sistemas se complementam e são interdependentes, de tal maneira que é preciso equilibrar confiança e disciplina na busca da qualidade do compromisso. O mesmo se dá no caminho solitário em que os mestres são as circunstâncias da vida e o discípulo inapto alterna entre inércia e aprendizados dolorosos até ser capaz de gerir a sua vida de maneira aceitável. E é somente com alguma dedicação que é possível qualquer progresso  e isso se faz nítido e lógico ao passo que se adquire maturidade.

Imprevisto e acaso são como o profano nomeia sua miopia, são termos para amenizar a incompetência que sua própria consciência tenta lhe fazer ver. Mas assim é o caminho, e ele é perfeito em sua postura.