terça-feira, 21 de novembro de 2017

Vaivém


A fé remove montanhas,

A má-vontade as move de volta.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Da "explicitude" das exigências


Não se pode alcançar uma meta invisível.

Ao delimitarmos tornamos o sutil mais palpável. 


sábado, 11 de novembro de 2017

Concordia

Como podes discordar de mim, se concordo contigo em absoluto?!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Desacerto

As pessoas falham conosco, nós falhamos com as pessoas.

Tudo bem, ainda somos humanos. Tudo se acerta.

domingo, 22 de outubro de 2017

Nota sobre a Desordem


Não há nada que esteja fora de seu lugar e não há um ser que não possua um código próprio para lidar com seus símbolos.

A desordem é o limite da compreensão de um ante a multiplicidade de linguagem dos outros. 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Anseios

Não queira que as pessoas notem a sua importância na sua ausência.

Isso não te faz importante, te faz um quebra-galho.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Auto-Imagem Sombreada

Às vezes, de uma forma muito curiosa, a gente conhece uma pessoa igualzinha a nós: ainda que não seja nosso sósia e não se pareça em nada em absoluto, observamos os mesmos hábitos, o mesmo jeito de falar, uma postura perante ao mundo muito semelhante à nossa, à quem nós somos. Eu desconfio que isso se passa, eventualmente, com todos nós, embora nem sempre sejamos capazes de notar tais reflexos ou associá-los. 

O que eu acho o mais curioso, no entanto, é que a nossa capacidade de julgar se altera drasticamente: ao nos darmos conta da oportunidade de confrontarmo-nos percebemos quanta admiração e quanto desprezo nutrimos por nós mesmos. Esses momentos de pequenos embates ideários são decisivos para que percebamos a forma como nos comportamos e, às vezes, até a forma como negamos e persistimos em um ceticismo quanto às características que não queremos nos enxergar.

Tais estranhos, tão familiares, passam em nossas vidas como um susto, um pequeno cisma em nossa compreensão da realidade. Mas sua presença é tão impactante que acabam por formular uma memória que temos de nós mesmos: são as sombras que compõe a nossa auto-imagem e que se arrastam em nossos pensamentos quando somos pouco gentis e indelicados conosco. Sombras essas bem palpáveis e que delineiam muito nitidamente o Abismo entre o que acreditamos ser ideal e o que somos de fato ante todo este potencial.

Mas é importante ponderamos que a frustração conosco mesmo é fruto dela própria e se alastra indistintamente. Não há Prometeu que seja capaz de carregar qualquer fogo que seja sem estar inflamado por um ideal que, em essência, é ele mesmo. E ao nos incorporarmos de tudo aquilo que acreditamos ser essa essência, adquirimos uma espécie de auto-confiança inabalável, um orgulho sincero que espelhado e projetado nos demais nos produz admiração. Assim as sombras de nossa auto-imagem já não são mais sombras, ou ainda que sejam, já não nos perseguem. Damos conta de sermos quem somos e de nos enxergar num estranho. E podemos  compreender, por fim, que a relação com este estranho, que somos nós mesmos em última instância, é a nossa única oportunidade de manifestar aquele potencial que aparta o ideal do imediato. No fim das contas o mundo é mesmo um reflexo do que somos e o diabo que lhe pintamos é bem parecido com a gente...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Devoto de Mim

Comprometer-se consigo mesmo é assumir-se por inteiro.
A dedicação não vem por partes, não existe a segregação do sagrado: tudo o É, e este é o ideal da percepção, a laboriosa obra do espírito.
A percepção é uma pedra bruta a ser burilada, e conforme ela toma forma, o mundo se revela como o É de fato.

sábado, 23 de setembro de 2017

O Tino Mágico

 As vezes a ignorância assume tais proporções que se torna indelicada. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tetragrammaton


Quem menos tempo tem

menos tempo tem.

A insatisfação é viciosa.


Sobriedade é atenção plena:

onde está sua consciência 

neste exato instante? 


Qualquer hipótese é embriaguez.

O pensamento é um delírio,

no máximo acerca-se de reflexos...


A resposta é desimportante,

o relevante é a firmeza da fala

tal como o tom de um Mestre Zen.


Leva-se tempo para se ter tempo

Eis a obra da percepção.

- há mais entrelinhas do que linhas.


É o não-dito a morada da Essência

(                                                          )

Assim, não a palavra, mas o som.