quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A Crítica Condescendente

 A formação de um bom crítico não vem da mordacidade de suas palavras ao se deparar com uma obra inferior, mas da condescendência que ele é capaz de prestar a um título singular quando a miopia dos demais não o poderia enxergar.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Amargo

Amargo é o que sente pouco. É aquele café que se tivesse um pouco mais de água estaria no ponto. Mas não, economiza-se no amar.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Ahimsã

o eu que caminha para o nós, 
ao se dar conta de sermos,
pode amar plenamente.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O vazio além do Vazio

Eu não preciso de tapetes vermelhos por que o chão não ofende meus pés.

A vaidade é sempre uma compensação. Ocasionalmente os carpetes tornam invisíveis os buracos, mas nunca os tampam.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Jardim

Eu tinha 16 quando comecei a escrever de verdade. Guardei por 10 anos o que achei que ninguém nunca iria querer ler. Aqui, neste canto virtual, num campo aberto no meio do nada por onde mal passam peregrinos ou curiosos, plantei um jardim de palavras cada dia mais escassas. Ainda assim, devo dizer, as namoro semanalmente. Mesmo sentindo a minha poesia secar ao sol, se desfazendo pétala a pétala e desaparecendo na imensidão do todo; mesmo que a míngua do verbo murcho me cause esta angústia silenciosa; mesmo que eu continue a alegar falta de tempo, falta de ânimo, falta de êxito, ainda assim eu as namoro semanalmente. E isso por que eu vim a me dar conta de que eu não passo de uma organização literária, mera junção de letras que compõem os conceitos do meu microcosmo, essa percepção à qual me apego como se fosse verdade, como se eu soubesse o que é a vida. Então eu contemplo este jardim vendo cada uma das flores que eu já fui. E agradeço ao jardineiro por este alento aos olhos e à alma. Ele sou eu. O cumprimento e penso: eu devia passar mais tempo por aqui, ainda tenho muito o que aprender. Ele sorri, como se tivesse ouvido o meu pensamento, e me pisca o olho. Há ainda muita terra a ser cultivada.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Maior

A soma das possibilidades ainda não compreende a completude.

sábado, 30 de dezembro de 2017

O Teatro do Informe e a Salvaguarda do Cinismo


Viu-me e mudou de assunto. Emudeceu-se, ou quase isso. Antes, porém, me maldisse – mas pelas costas que é como fazem os algozes. Eu que nada sabia, e que mesmo que isto alegasse, já era mal visto: são os olhos quem julgam, o julgamento já é o prenúncio da pena, mesmo que o réu seja algo de inocente. Nunca se passa incólume por um júri.


Saber demais pode ser um estorvo. É sobre essa premissa que se constrói a relação entre o Conhecimento e o Abismo: a multiplicidade das interpretações seduz o ávido à ilusão. É a oportunidade que a dualidade oferece que acaba por confundir o incauto. E somos incautos todas as vezes que atribuímos feitos às sombras, acaba-se por projetar demais.


Mas o teatro do informe tudo aceita. Aliás, o ator consagrado é capaz de entregar o que quiser para a plateia, mesmo sob delírios alucinados. Eu, entretanto, sempre preferi o cinismo a me defender abertamente, sobretudo por que estes palcos e espetáculos não costumam comportar a discrição, sendo muitas vezes a sonora gargalhada minha melhor atuação.


Ainda assim esse registro. Não uma resposta, ou defesa, ou um relato a ser levado em conta, apenas um ponto. Não estou certo se definitivo, mas também não pretendo mudar de assunto repentinamente ao me deparar com qualquer dita assombração. Acho que é essa a integridade que eu quero para mim. Menos não me atende.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Degeneração


Servir a falsos mestres

acaba por nos fazer

falsos discípulos.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Excede!


O que define o mau perdedor é o apego. Quando a vitória justifica qualquer meio, a derrota é simplesmente inaceitável. O problema da não-aceitação, no entanto, é que a vida é ilimitada e toda vez que a contornamos ela excede os limites e nos mostra sua exuberância. 

É isso que o mau-perdedor não enxerga.