segunda-feira, 15 de junho de 2009

Amanda

amanda amava o cheiro da chuva.
e amando,
ela se senta debaixo da janela para observar a tempestade.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Segredos

Me contou que a discórdia era um passa-tempo e que os garotos eram sempre previsíveis e que a rua em que morava era muito calma para se viver no ritmo em que levava as coisas.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ambição

Eu queria que as histórias que conto por aí fossem reais.
Eu queria que os velhos do boteco da esquina estivessem sóbrios para se lembrarem das memórias que implanto em suas mentes corroídas pelo tempo. Fizeram-se escravos dele, hoje remediam-se com álcool.
Eu queria mesmo que minhas desculpas fossem sinceras, ou ao menos, não tão medíocres. Para que eu pudesse vangloriar-me não da lábia, mas de minha palavra.
Eu a queria, toda, só para mim.
Mas queria também o universo de vidro e a confiança da vizinhança.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Passagens de uma história nunca escrita


Diálogo entre um Fabricante de Sonhos e um garoto comum


- É o que você quer?
- Sim.
- Eu posso lhe conceder qualquer coisa. Aliás, você sabe com o quê está lidando.
 - Eu sei o que eu quero, tenho certeza.
- Pois bem. Mas isso iria lhe custar... algumas lembranças...
- Lembranças?
- É, histórias... Você não precisa delas. Apenas gente velha precisa de memória pra poder se situar no presente. Estes que ressuscitam passados, apoiados num vigor que já não existe. Você é jovem, possui anseios! Tem todo este instante infindável com o qual lidar sem ficar se limitando com causos. Lide com a possibilidade da vitória, ao invés de fatos vencidos. Que tal?
- Mas e os momentos que me alegram quando nada do presente pode fazê-lo? E a forma como eu me associo à realidade? Todo o meu contexto, minha formação! Não sei... Eu gostaria de me lembrar de algum passado...
- Mas por que?! A espontaneidade é o desdobrar do agora e é neste tempo em que tudo é possível! Se apegar à qualquer grão de areia de uma ampulheta dá no mesmo: ou tem-se a queda certa ou já se está tombado. E é este o vírus que compõe o medíocre: a perseverança em seguir para o abismo!
- Mas eu não pretendo ser absorvido por álbuns de fotografia ou viver de planos. Só quero o acesso à outras épocas, algo que me pertence!
- Tudo bem, eu entendo. Há oportunidades que batem em portas erradas. Você possui um desejo, mas não dispõe de cacife para concluí-lo. Mas, talvez, com todo este seu tempo você possa... fazer da sua maneira...
 - Não! Não é isso! É que... Não há nenhuma outra forma de eu te pagar?
- A minha moeda é o tempo. E tenho certeza que alguns anos de sua vida a menos ou uns bons momentos vividos não lhe fariam tanta diferença... Qualquer preço compensa um sonho!
- Mas não há nenhuma forma de descobrir que foram fabricados, não é? Ninguém vai saber, certo?
- Tudo exatamente como lhe foi garantido. E basta você assinar nesta linha.



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