terça-feira, 9 de outubro de 2012

Agravo


Você, que é seu cargo e que se encarrega de carregar para todos os lados o fardo de sê-lo.

Você, que é só profissão, limitado ao seu ganha pão e nada mais: negocia a consciência, a moral e a própria paz. Já tanto faz.

Você, que se apresenta como trabalhador, antes mesmo de falar do amor ou do tempo. Que se envaidece e se esquece do momento, inicia diálogos sem cumprimentos.

Você, sem nome, mas um belo emprego. E uma promessa vazia de sossego.

Mas você nunca acreditou em utopias.

Vive a vida em cores frias; não é pai, apesar das crias; não é amigo, apesar das companhias; não é palhaço, apesar das fantasias.

As doses de ironia que o cotidiano nos reserva: resumia-se ao vício de seu ofício, e à concepção de uma vida severa.

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