sexta-feira, 25 de maio de 2012

Charme


pois todo fim é um começo e toda despedida tem seu charme.


Queria já ter partido há muito. Assim, espontâneo & definitivo, só para vê-la acenar seu lenço assoado & encharcado das lágrimas que vergam por mim. Que não retornarão aos seus olhos, assim como não retornarei aos seus braços.
O sol não volta atrás por que sabe da deselegância do regresso. E faz de sua despedida um espetáculo à parte, aplaudido no fascínio daqueles que desconhecem os outros cantos do mundo.
Aplaudo o sol de pé. Sem lugares estratégicos, porque não é aos meus olhos que ele toca. Mais coerente seria o coro se o elogio fosse feito à dedicação com que este se mantém sobre nós, incondicional. Mas vivemos de momentos, entre vírgulas, de finais felizes!
Aplaudo o sol com vigor & alívio. Sou vivaz em minha indiferença, tomado pela ansiedade, cordial nas palmas explosivas que anunciam o fim de minha espera.
Dói-me este receio com que se vai; esta despedida longa & dramática & indecisa. Fere-me, exige-me paciência, adia meu enfim!
Eu que o aplaudo tão somente para vê-lo distante, que contenho arduamente meus uivos, guardo-me atrás de lentes escuras por que não me inspira o contemplar. Eu que me mantenho firme, na expectativa do encontro prometido! E que já estou tão longe neste momento, sem olhar para trás por que meus olhos estão perdidos no Zênite em transação!
Há em mim um coral de vozes a comemorar a queda do império! O Astro-Rei deposto... E eu, que nem ensaiei minha despedida, assemelho-me ao sol ido:
querida, sou noite.



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