terça-feira, 21 de outubro de 2014

Opaco


Acordei de uma vida, tal foi o sonho
Vivido como nunca fui.
Não arrisco abrir os olhos. Ainda há a esperança de que eu esteja dormindo.
Adio o dia diáfano.
Planejo e nem vejo o que se passa:
O quarto escuro, e enquanto me recomponho, tateio meus óculos
(Eles sempre mudam de lugar durante a noite.)
(Às vezes eu confundo miopia com esquizofrenia.)
Meu braço dança, mas nada alcança
Nitidez esquiva, arredia, arisca
A vista é uma mancha; a vida, um borrão
Eu sou uma dobra na página de introdução.
Qualquer obra incompleta.
Mais amarrotado que os lençóis eu ensaio levantar-me,
É impossível.
Coloco a culpa na cama. Nos óculos perdidos.
Preciso reavê-los, meu dia precisa começar
De fato falta-me foco...

É essa dependência de alta-definição. Auto definição.

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