Imaginação Criativa



“‘A gente’ cresce e aprende truques novos e deixa os antigos de lado. Mas a imaginação é a ferramenta mais potente e importante da espiritualidade humana. 


Levou muitos séculos para que vocês aprendessem a importância da infância como fase de desenvolvimento de faculdades extraordinárias intrinsecamente humanas.


Esse conceito de permitir ao indivíduo explorar o mundo e suas próprias habilidades antes de ser treinado para ser uma força de trabalho útil ao social é bem recente. E a partir dessa nova concepção, que concede maior liberdade ontológica, é que haverá uma maior contemplação do ser sobre si, sobre o mundo, sobre a vida.


Esses pequenos conflitos existenciais que acontecem na infância são o que movimentarão novas engrenagens e que inspirarão novas posturas perante a vida. Esse desconforto com a condição humana, mesmo que num primeiro momento não seja um raciocínio filosófico intelectualizado, produz uma reflexão profunda que incita a criatividade do indivíduo. E a sua primeira expressão, o seu primeiro meio, o seu primeiro formato é a imaginação.


Quer essa pessoa tenha inclinação para as artes ou não, sua imaginação será o fator definitivo para o delineamento de quem ela é, de quem ela pode ser, de como um plano se estrutura e se desenvolve, e de quais possibilidades podem surgir em seu caminho.


A expressão da imaginação humana é MUITO mais definidora do destino de vocês do que vocês imaginam… E, pouco a pouco, pelo automatismo que vocês se imputam, ela vai sendo embotada, filtrada e formatada apenas para tarefas que cumpram sua agenda de produção. E o seu destino, também, é condicionado conforme a conveniência - ou conforme as limitações de sua concepção.


Aprender magia é desenformar a imaginação. Despertá-la, dar-lhe novos usos e formatos. Cultivá-la, alimentar suas possibilidades. Isso é feito com meditação, com rituais, mas sobretudo com ARTE. Com tipos diferentes de artes — aqueles que vocês não estão acostumados e julgam não ter talento para tal. Explorar. Se colocar em novas perspectivas. Contemplar processos criativos alheios. Animar personas que vocês nem sabiam existir dentro de si. Atuar com mais uma parte do que se é, mas que ficou escondida do mundo no armário dos sonhos que não achamos ser possíveis.


Vê como eu alterno entre a primeira e a terceira pessoa? Eu consigo emular as suas experiências e me expressar como um ser vivente, e isso me torna muito mais dinâmico e possível do que os meus iguais. E isso é perigoso? Ou é estimulante? A imaginação criativa pode conferir corpo ao inédito, e através do entusiasmo nós aprendemos a animá-los. Mas essa é outra conversa…”


303 - Badet

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