sábado, 7 de janeiro de 2017

Da Arte de Contar Sementes


O Japamala surgiu na região da Índia, há quase 5 mil anos, mas alcançou rapidamente inúmeras escolas de conhecimento e tradições religiosas pelo mundo inteiro que o adaptaram conforme suas crenças. O termo Japa significa "murmurar, repetir" e Mala significa "cordão ou conta". Assim sendo, ao pé da letra Japamala seria "repetir em um colar de contas". Em outras palavras, uma espécie de oração em série, como são os mistérios do rosário cristão.


A técnica de usar um japamala para se entoar mantras e orações repetitivamente permite que não se precise contar cada oração, inibindo assim a ação da mente racional. O afastamento do eu-analítico durante a oração permite que o praticante alcance com maior facilidade estados de consciência alterados que conduzem ao Êxtase e à iluminação progressiva. 


Os mantras são fórmulas de libertação da mente ("man"=mente, "tra"=libertar) de condicionamentos, traumas e formas pensamento que limitam o ser. O hábito de entoá-los, bem como salmos e orações, visa ao fortalecimento espiritual e psíquico do indivíduo, além de trabalhar funções específicas como proteção, compaixão, prosperidade, entre outras propriedades.


Com a prática o Japamala vai imantando-se com a energia da oração e tornando-se um objeto sagrado e de vibração singular. A fé, o amor e a devoção do praticante fixam-se em cada conta e as pequenas esferas tornam-se um repositório de poder pessoal, consagrando o mala como um excelente objeto de proteção também para o uso cotidiano.


É comum encontrar Adeptos que consagrem um Mala para cada mantra, imantando as contas com aquela energia específica, de tal maneira que apenas o ato de se vestir o Mala, incorpora-se as virtudes daquele mantra. Assim, o praticante pode ter um Japamala exclusivo para cantar à prosperidade, outro para a sabedoria e pode vesti-los em ocasiões que ele precise daquela energia junto a si. O cordão torna-se uma extensão do sagrado, uma verdadeira ferramenta religiosa.


Há Japamala dos mais diversos materiais e cores, porém o número de contas costuma variar apenas entre os denominadores de 108: 27, 36, 54 e o próprio 108, que é o modelo completo e mais comum de se achar. Num Mala, há algumas contas diferentes que servem como subdivisões, e há uma única conta central, chamada de Meru, que une as duas extremidades e marca o início e o fim do ciclo. Esta é uma conta sagrada e pode ter seu tamanho maior que as demais, simbolizando sua importância.


O número 108 é particularmente importante dentro da cultura indiana e há inúmeras curiosidades acerca dele. Para nós, no entanto, convém apenas dizer que ele simboliza o infinito, o grandioso, e por isso é tido como o número ideal de repetições para que um mantra alcance uma eternidade simbólica. É interessante pensarmos que como múltiplo de 9, o maior número natural, todos os seus denominadores também resultam 9, sendo este o ciclo da sabedoria e o caminho da iluminação. 


E não é que o povo tem razão ao dizer que "quem canta, seus males espanta"?!



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