quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Tomando as Rédeas do Automatismo


A realização de qualquer tarefa implica na conciliação dos paradoxos que a cerceiam. Resolver os conflitos internos que antecedem a tomada de uma atitude é fundamental para conferir consistência ao ato.
Tal processo é semi-automático para a maioria das pessoas, porém conforme alguém inicia a decomposição de suas funções mentais e passa a tomar consciência de si mesmo, as ações rotineiras ressignificam-se e apresentam-se num novo nível de complexidade. O indivíduo que aventura-se às próprias profundezas sem a devida cautela corre o risco de deparar-se com mais do que pode digerir e apresentar dificuldades em reconciliar suas estruturas e ancorar-se de volta à realidade objetiva.
É por isso que sempre ouvimos: a filosofia é um meio e não um fim em si. E assim as possibilidades repousam no Caos, mas precisam ser eleitas ante a manifestação: a fenda é estreita e há limites que não comportam o simultâneo. Talvez por isso aquele que possua sua capacidade de raciocínio mais refinada tenha maior dificuldade de lidar com a indecisão latente em tudo: sua consideração do mundo é muito mais intensa e os detalhes são claros demais para serem atropelados, logo a tarefa de realizar uma escolha se imbui de significados que, verdadeiramente, não possuem.
E qual é a solução? - A simplicidade. Os melhores resultados ainda são óbvios - bem, a grande maioria -, porém passam a possuir maior nitidez e sustentação. A ponderação desapegada é o veículo da intuição, leve e certeira, que pontua a divagação. Sendo assim o ato completo coroa-se com a espontaneidade, saciado em si mesmo e sem dúvidas de como poderia ter sido, ou mesmo de como será. 

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