quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Muito se Ladra às Sombras


A palavra é chave, é o acesso às inúmeras possibilidades. Evitamos o velho ditame "peça e lhe será concedido" pelo descaso conosco mesmos que nos fez céticos, mudos e adestrados às falsas percepções.

Todo comando desencadeia uma reação e mesmo a frivolidade partilha das conseqüências de sua pequenez. "Saber, Ousar, Querer, Calar". Pois aquele que se desperdiça em ladainhas acumula-se em irrelevâncias e nem mesmo o ingênuo escapa ao eco do que é.

Quem não se desafia constantemente, embota-se; em boa hora: a cegueira do gume é o medo que desponta qualquer assertividade. Palavra sem pontualidade é a verborragia que nos atrasa rumo ao essencial. A língua sela compromissos que um aperto de mão não poderia.

As ameaças, portanto, são confissões de impotência. É o manejo amador da substância literária: frases insossas e inconcretas, o inofensivo travestido em vociferações, o desespero cuspido. A falta de classe descaracteriza o perigo.
Quem quer que seja audaz para interromper o Silêncio deve ter o timbre da moderação ou imola-se ao ridículo. 

O dito certeiro é um deslumbre cantado, cuja precisão ressoa-nos eternamente em contraste com a indecisão mundana que temos como referência. A palavra imbuída de poder é sonora mesmo quando sussurrada e ressalta-se às demais pois incorpora a Voz da Razão. Adentra ao terreno do Belo pelo deslumbre que causa, mas é incorpórea ao papel, posto ser intransferível sua Presença.

É a garganta que externa a Vontade, modula a realidade e pelo Verbo anima, conduz e coordena. É a poesia a tradução da fertilidade e da espontaneidade dos diálogos da Natureza. É a alegria o resultado da compreensão de fragmentos do Monólogo Maior e é a fé a capacidade de manifestá-lo e disseminá-lo.

A harmonia é a lei. Não há o que quer que seja dissonante, tudo está em conformidade. Esta é a chave da Arte. Que cantemos, pois. Mas antes, que saibamos dançar.

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