sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Da Generosidade


Houve um dia em que 
tendo a bela árvore 
amanhecido ensolarada
pedi sua permissão 
para me aconchegar 
aos seus pés 
e uma vez ali 
sentado em silêncio 
pus-me a medir 
com olhos e olhares 
sua generosa sombra
que também me abraçava 
e a árvore 
era compreensão 
e as folhas
dança 
e o sol ao céu 
e eu ao solo 
e sob mim 
solipsismo 
o ir e vir 
primaveril 
e o humor 
do contraste:
pelas manhãs 
engrandecia 
ao meio-dia 
a vaidade 
e pela tarde 
a temperança
e quem amansa
sombra?
só lua
e olhe lá
que tudo cresce
tempo tem
e eu vendo a
impermanência
na opacidade
e as reviravoltas
do mundo
no chão 
vi por reflexos
tudo o que há 
e a sombra
não era senão
projeção de 
generosidade
pois que a árvore 
majestosa e gentil
cedia de si
tudo o que havia 
e a sombra crescia 
conforme a bondade
que quanto mais luz
mais sombra 
e no entanto 
tudo é um 
e mesmo eu
fruto e fronda.

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