quarta-feira, 29 de julho de 2015

Uma a Uma


Eu nunca entendi essas interações forçadas com desconhecidos. Eu nunca apreciei o assobio. A timidez era respeito e eu sempre soube. Meus colegas não entendiam. Ainda não entendem, mas não são mais colegas. Eu ria. Sempre ri de tudo; continuo rindo, mesmo sério. Da incógnita que sou, nunca quis atenção gratuita.
Eu nunca concedi muita intimidade, mas tenho melhorado com o passar do tempo. Talvez eu seja o oposto da desconfiança amargurada, talvez o envelhecer não tenha de ser rude.
Eu já me deparei com a frigidez, mas talvez fosse apenas fragilidade. Eu conheci a frivolidade, mas só de nos apresentarmos. Eu estive com a desilusão e ouvi todas as suas histórias. Não durou, eu acho graça nos desconsolados.
Eu não flerto a vulgaridade. A obra é o detalhe, metonímia do ser. Minha intensidade é ritmada, meu amor é dança e ritual. Tudo é sagrado, mas tem quem nem leia poesia...
Todo ponto é pausa, todo não é não, tudo é óbvio aos olhos do oráculo. Às vezes uma frase ressoa por horas, mesmo lida em voz baixa. Eu arranjo assim. É quando eu toco o ponto certo.

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