terça-feira, 21 de julho de 2015

Os Murmúrios das Margens & o Lamento da Lama



Minha língua tem enrijecido. E isso não é lá tão bom como podem pensar certas pessoas maldosas. Eu tenho perdido a maleabilidade, as famosas papas que ninguém nunca viu, mas que todos ouvem falar. São as boas palavras que nos embabujam.
Eu converso muito comigo mesmo, e nós não falamos do clima ou nos perguntamos como vai a família, mas não é nada pessoal. Apreciamos a boa educação e não temos restrição de assuntos, apenas preferimos os cruciais. É o pensar tanto que nos afasta dos demais.
E não é que me falte paciência ou linguagem. Adubo e abundo. Faltam-me, entretanto, referências. A introspecção é a ignorância dos desinteresses. Peco em temas triviais, desconheço o contexto comum, eu não sou versado na omnisciência à cabo e estranho os sinais de rede. Não empreendo discussões, não argumento com ferro, não berro senão só.
Todavia, o que é grave é que a minha abstenção seja tomada como uma ofensa pessoal. De fato, não tem muito o que ser dito.


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