quarta-feira, 27 de março de 2013

Imemorável



Ao orador que não decorou o que havia de ser dito.

Logo eu, que não aprendo por repetências, mas na análise do conjunto. E quiseram fazer de mim o astro principal, com palavras anexadas à boca que deveriam ressoar mais do que minha própria voz.
Logo eu, que não abro mão de reticências, e em conformidade com minha essência, digo o que quero sem palavras de outrem! E ai de mim, das palavras minhas, que mesmo compostas, hão de ser mutantes: adaptam-se aos públicos.
Não, não sou eufêmico! Não me leve a mal, mas não me parece justa a proposta de amenizar a dor de quem escuta uma verdade. O que faço é aliar a vibração das letras com o que o ambiente pede. Não lido com estes discursos prontos, não sirvo de intérprete, nem sou mediador da experiência de uma plateia que não teve competência para chegar às suas próprias conclusões.
Exalto-me em altos e baixos e encaixo-me nas lacunas que vão chamar de silêncio, mas que vibram mais do que as curvas dos esses ao denominarem plurais e pecarem pelo excesso.
Deram-me parágrafos rígidos; falas falsas, dessas que falseiam mesmo no papel, quem dirá nos ouvidos de um público xoxo.
E eu nem sei quem são os convidados, mas descarto-os de antemão por que vim para fazer estardalhaço: não sou seu representante! Votem em si próprios! Eu vou dizer tudo, tim tim por tim tim, e com minhas palavras! Aguardem!

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