quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Afim



Não fazemos concessões ou convenções: nossas regras são espontâneas e não necessitam discursos ou discussões. E nosso silêncio é mútuo, ainda que ruidoso: é o resumo de nossas expressões.
Deixamos impressões em pausas e reticências que demoram-se despreocupadas, pois não têm exigências.
Nossas frases sustentam-se de onomatopeias, não de argumentos: não vemos propósito na vaidade da inteligência.
Nosso tempo ceifa-se a si próprio, mártir de sua sina: nossa atenção é demasiada difusa para que instituamos qualquer rotina.
Nosso solo é nublado, frágil como se imagina. Pisamos no terreno da fertilidade, como astros que circundam-se e violam a gravidade: "o que está em baixo é como o que está em cima".
Somos a exceção que dá cabo da lei por excedermos aos exemplos triviais. E seríamos os "extraordinários", se não estivéssemos apenas sendo nós, sem mais.
Não somos destaques, não acreditamos em contraste, não podemos ser fruto de qualquer assunto para quaisquer que sejam os debates.
Se somos, somos no máximo um convite.

3 comentários:

  1. ... E o que está em cima é como o que esta embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa

    ::

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  2. Eu tive de inverter a sentença para dar o tom que eu queria, mas enfim, liberdade poética na vida.

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  3. Somos pães de sal querendo ser croassaint. Mas todos com a mesma essência amassável, modelável com um toque sutil francês pedindo enfim uma mordida.

    ps: te vi na savassi quinta passada, em frente a status, sentado num banco de pedra.

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