quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

OroborO

"Meu fim é meu começo"

Constatou, ainda que tardio

E, de encontro ao vazio,

Fez jús ao ser avesso.

*

Ascensão por equivalência.

Depôs a ingenuidade

Depois, ao si covarde,

E entregou-se à impermanência.

*

Fez-se ciclo que não cessa

No Ir-e-vir imensurável

No instante, o instável!

Tomou o Caos como promessa.

*

Os opostos em comunhão,

O acaso afogado na areia.

O Todo é teia.

Ampulheta: delicada transição.

*

Os nós frouxos e a corda partida

Apossara-se do leme com firmeza

Agora era-se a correnteza

E apenas o contemplar da âncora ida.

*

Em posse da guia de oito apoios

Soube-se breve, mas pertinente

E, como ele, tantos outros dirigentes

Mas, além do trigo; em terra, o joio.

*

Convicções contrariadas no desvelar:

Quanta ingenuidade!

Pois toda aquela emancipação, por ansiedade!

Afinal, o Uno é par.

*

A serpente exalta: tudo tem preço!

Mesmo a cura, provém do veneno.

E, depois do susto, constata sereno:

"Meu fim é meu começo"

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