segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cartas Marcadas

Pra começar, eu nem sei como.
Errante, azarado!
Que nesta mesa eu perdi até o sono
Pensando-me: o verme ou o arado?

E na estrada, dividido
A cicatriz na terra.
O curinga embaralhado: fui traído...
E nestes montes, dedos se confundem com serra.

Grãos não dão trégua
E toda frase é uma aposta
Palavras imprecisas como léguas
Silêncio interminável como resposta.

Conclusões se desequilibram em abismos
E o garoto debruça-se sobre sua alma
O jovem perdura em seus cismos
E o velho insiste em lhe pedir calma.

Em devaneios, um arrepio:
Pois todo fim é só um meio.
Mas há quem espere palmas ou assobios
Viva para o delírio alheio

Os ápices foram cancelados
A cena, apoteótica, estendida!
O acaso descartado
E a ansiedade pela despedida...

Não haverão créditos & não teremos vencedores.
O destino é uma farsa, assim como o é quem dele faz graça.
O jogo é contagiante apenas para quem é novo no barco:
A sorte é superestimada.

Um comentário:

  1. queee isso manno, puro e sutil; to de cara!
    Muito bela a mensagem, o tom poético, em cima do lance. Meus parabéns!!

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