quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Roupa de Cama

O quarto escuro pertence apenas a nós. O mundo se perdeu por detrás daquela porta e os únicos vestígios da realidade são as gotas da tempestade que molham nossos corpos ao adentrarem pela janela.
As cortinas dançam sobre nós. Formam um véu que nos coloca sob a chuva, diante de uma imensidão de nuvens cinzas... e por que não? Estamos no céu!
A cama estreita nos ajunta. Encostada à parede sou feito refém!
E tu dormes tão serena que me envergonhas; Tens os olhos tão tranquilos que me preocupas; O modo como te sentes à vontade me causa um leve desespero.
Adormecestes agarrada ao meu corpo, como se eu pudesse desprender-me... como se já me conhecesses há tempos! E, realmente, eu não sou insomne, mas não duro muito embaixo de outros lençóis.
Também não sou de perambular pela casa: aprecio o silêncio durante a manhã, de forma que até meus passos me causariam incômodo, portanto o ruído usual é o da porta da frente recostando-se levemente e encerrando as noites de forma definitiva. Sabe? Eu também prezo por isso:
encerrar as portas, pontuar.

No entanto hoje eu preservo o silêncio quieto ao teu lado, pois não me sinto no direito de acordar-te. Sinto-me responsável pela tua posição aconchegante, por teus sonhos, pelo lençol encharcado que, mais do que a chuva fina que partilhamos, carrega também gotas do meu suor, meu cheiro, carrega ainda algumas das palavras que escaparam de meus sussurros, confissões, poesias...

Mas, se sou prólixo, sei me conter.
Pois o silêncio é sagrado até o teu despertar.

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