sábado, 30 de abril de 2011

Além do que se vê


Garotos, tímidos em seus diálogos desconexos, disfarçam-se em excentricidades. E se fazem falsos para com os demais. Mas não! Incompreendidos, apenas.
Garotos carregam consigo suas advertências, expõem-se em ares seguros. Mas suas introspecções constantes, seus pensamentos longínquos, fluídos ao silêncio de quem se perdeu por aí...
Um estoque de passos tortos e algumas moedas no fundo de um bolso surpreendido. Palavras atadas à garganta e a boca seca, desgostosa.
Pois garotos transbordam tranquilidade. Mas o excesso prova-se descontrole.
E têm um par de olhos inquietos aonde se lê o desespero. Feitos fortaleza, resistem em um orgulho desonesto.
Vêm as horas, discretas, amontoando-se furtivamente para, de forma impiedosa, anunciar um amanhecer impreterível.
O sol urge e já é hora de pisar em casa. Lágrimas contidas não deixam rastro.

2 comentários:

  1. Nossa Rodrigo, que coisa linda essa. Seus textos só melhoram

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  2. "Lágrimas contidas não deixam rastro."

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