segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Divergência

“As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e que nem todos se libertaram ainda”
Carlos Drummond de Andrade 

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O vento bateu tão forte que carregou consigo a iluminação. O suporte da vela jazia no chão ao lado da rolha ainda úmida pelo doce veneno rubro.
Nesta cena fora de foco as longas cadeiras ostentavam dois lugares vagos. As estrelas da noite haviam fugido e o abandono se fazia ainda mais gritante quando a lua, solitária, era feita de holofote. E o feixe de luz, perdido na escuridão, vagava pelos labirintos que eram estes motivos insensatos.
As taças largadas pela metade, num desperdício penoso. Os talheres, intactos, faziam-se sem sentido. As palavras, tão ensaiadas, nunca chegaram aos ouvidos, e uma hora a música cessaria.
Todo aquele cuidado com as escolhas provava-se inútil: as faixas chegam ao fim.
E, no silêncio, o vento uiva ardorosamente pelas frestas da janela, triunfante sobre a chama extinta.
Agora tudo é frio..

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