domingo, 14 de novembro de 2010

Espetáculo de variedades

Agarrava-se à pilastra indo contra a correnteza. Eu, encostado na parede, recompondo-me, não conseguia desgrudar meus olhos dos dela. Parecia a gravidade a nos atrair, cupidos a nos empurrar, ou mesmo a própria discórdia: que ela estava acompanhada.
Olhos que se procuram mutuamente, bocas que se completam feito peças de quebra-cabeça perdidas na sala extensa, talvez imãs separados pelas mãos de uma criança e talvez esta fosse o destino.
Mantivemo-nos distantes. A troca de palavras foi inevitável: precisávamos testar-nos; precisávamos provarmo-nos. Mas talvez o gosto fosse insaciável, como foi.
E na manhã seguinte escrevo estes versos. Com uma vaga esperança das mãos do destino ter nos soltados por aí, rua afora. Quem sabe?

3 comentários:

  1. Perfeito!
    As vezes as palavras que a gente procura na nossa mente está na boca de outra pessoa!
    Um abraço!

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  2. Palavras do "dia seguinte"...
    Obviamente doces. Doces.
    Muito bom!

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