segunda-feira, 21 de junho de 2010

João

Tens em teu cabelo encaracolado o cheiro da embriaguez e faz parecê-la amável a quem escuta as palavras que ecoam de seus lábios.
Tens em tua voz o timbre da segurança e atormenta tuas amantes quando anuncia suas descobertas – que sabem não ser tão dono assim de si.
Tens em teu olhar o brilho de um menino que tudo pode. E só eu mesmo para saber o quanto podes. Que és livre e belo, mais que qualquer outro, para poder se lançar ao mundo sem pés atrás ou planos B.
Tens em teus passos o mundo a desmoronar; e tudo depende do seu humor. Que às vezes é você quem causa o estrago, e se orgulha e sorri com a sinceridade que nunca presenciei em ninguém mais. Mas às vezes, quando dias cinzas, encara o abismo e se lança na fuga. E compensa em horas intermináveis passadas na sua, nossa, realidade paralela.
Aos olhos de uns a inexistência. A outros, mais sensíveis, a insanidade.

Que amar assim nunca foi compreensível a ninguém. No entanto, dentro de uma casa, pintamos as paredes de verde e espreitamos a normalidade janela afora. É o mundo a correr diante de nós.

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