quinta-feira, 27 de maio de 2010

Habitual


Eu sou suas unhas ruídas e o arrependimento ao olhar o esmalte colorido.
Sou toda a ansiedade pelo dia de amanhã, a indecisão da roupa e o relógio implacável.
Sou essas pupilas cheias, transbordantes, que querem se derramar sobre ponteiros para que se deitem mais rápido.
Sou a última, penúltima, antepenúltima... Sou as páginas do seu caderno rabiscado na madrugada.
Sou bocejo e a incapacidade de dormir. Sou insônia e serei olheiras.
Sou eu quem atende o telefone às quatro, quatro e meia da manhã...
Do outro lado da linha só há o respirar. O velho timbre do desespero.

5 comentários:

  1. "Sou as páginas do seu caderno rabiscado na madrugada.
    Sou bocejo e a incapacidade de dormir.
    Sou insônia e serei olheiras."

    Bem, tu poderia parar de me descrever? hahaha
    Cá estou nesse exato momento, rabiscando caderno, incapacitada de dormir e claro com olheiras lindas.

    Gostando desse tempo estranõ, confesso.

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  2. Nú! Eu sempre falo isso pra você quando eu gosto dos textos, mas esse foi O MAIS perfeito! Consegui me ver perfeitamente nele. *-*

    ''Sou bocejo e a incapacidade de dormir.
    Sou insônia e serei olheiras.
    Enfim, eu sou o que atende o telefone as quatro, quatro e meia da manhã.

    E, do outro lado da linha, tudo que escuto é uma respiração que soa o timbre do desespero.''

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  3. Cara sou eu aahahaha..li os comentários anteriores e eles dizem o mesmo, mas sério, sinceramente, minha ansiedade chega fácil a esses extremos.
    Texto muito bom.
    Beijos

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  4. não, não. sou eu! hahaha
    o remetente e o destinatário.

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  5. ok, posso ser a respiração que soa o timbre do desespero?
    isso é muito eu!

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