Loucura

Falávamos de sonhos na noite escura.
Falávamos de sonhos sem ter sonhado noite passada.
Falávamos, despertos, de sonhos que sonhávamos ter.
Falávamos nós dois, mas sozinhos em cada um.

Falávamos de garotas, falávamos de nós mesmos.
E do contentar-se com a companhia – de si próprio.
E da insônia que se arrastava mais uma noite.
E só não falávamos de tempo por que já havíamos o apostado.

Falávamos de guerra, da loucura que vinha vindo, do vinho que se esgotou.
Tudo para não pensar no tédio que nos assombrava.
Dois garotos trancados no escuro.
E de repente são três batidas na porta de madeira.

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