terça-feira, 9 de março de 2010

Valsa

Feita de areia. Com movimentos leves, poéticos, que, em sua altura, em seu equilíbrio nos braços de outros, alcançava o infinito com os olhos erguidos.
Pálida de tão clara, com a expressão quase indecifrável da profundeza que levava cada gesto e cada passo. Livre por todos os sentidos. E em palavras ou não, perplexa pela beleza.
O encanto do segundo que se passa no toque. Em seu corpo o depreciar do tempo no ritmo impecável. Mas, indiferente ao relógio, a coreografia espontânea. Como versos, por assim dizer, lançados ao ar.
Uma noite que corre apressada para quem dança sem o amanhã.
A tempestade, bem além do tempo, para castigar os despertos. E na solidão, então na ousadia, a nudez de quem desafia os olhos do nada.
As notas musicais, mudas, roçam suas curvas sem nada dizerem e o silêncio sempre foi propício à dança. Ela procura por quadros que a assistam, paredes que a ouçam. Procura por poetas que a imagine.
Eu acho que nunca vou dormir esta noite.

3 comentários:

  1. Taí... Curti seu blog. Vc escreve bem, rapaz! Parabéns!! Te convido a visitar o Literatura Exposta, meu blog literário, que mantenho ivo com muito carinho, apesar das dificuldades todas.

    www.literaturaexposta.blogspot.com

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  2. Extremamente claro e bonito. Palavras que eu gostaria de ter você escreveu e mostrou pra quem as quiser ver. Parabéns!

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  3. é quase como uma eternidade que se passa no período de um curto tempo e quase nos leva a loucura.

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