segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Minha

Ela é minha.
Toda ela, mas os cílios e as unhas que insistem em se descolar de seu corpo e se juntarem ao chão.
Sem lei-de-três-segundos: a gravidade é ávida e egoísta, e eu também o sou.

A minha posse é um desvairo. E ela é tão minha quanto qualquer outra.
E que fossem todas! Que a vida fosse essa orgia que vivemos numa cegueira voluntária, entoando gritos de "amor livre" para justificar nossos atos que fazem pesar uma consciência de valores tradicionais. Ou que fossemos realmente desprendidos e o desapego nos guiasse: quantos dentes tem a chave que arromba teu segredo e adentra teu íntimo sem que possas intervir? Quem é aquele que depõe contra tua liberdade e te faz atonita?

O mundo urge para os hedonistas e a cobiça desacerbada elimina preliminares.
A miopia do êxtase não deixa espaço para os  detalhes e é o observador que sabe o que é refino.
À estes estão resguardados o prazer;

E é por isso que ela é minha.

4 comentários:

  1. "[b]Que hei-de fazer das coisas
    Que qualquer mão pode colher?[/b]
    Não quero a noite senão quando a aurora
    A fez em ouro e azul se diluir.
    O que a minha alma ignora
    É isso que quero possuir. "
    [Fernando Pessoa]

    Não sei porque,seu texto me remeteu a esse do Pessoa.

    Lindo texto *-*

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  2. 'Contei-lhe sobre os livros que estava lendo, contei sobre os livros que estava escrevendo – e então ela me contou sobre os ciúmes, coisa que (eu) não imaginava (...) Não é que eu tinha medo de uma discussão – ela viria a qualquer hora –, mas é que não cabiam justificativas minhas, não cabiam [b]pedidos de desculpa[/b] e nem promessas'

    De: Incompleta, por NUTS! :)

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